Campanha de grupo desconhecido no Facebook ataca plano do 'brexit'
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Nos últimos dez meses, a organização gastou mais de £ 250 mil (cerca de R$ 1,2 milhão) em anúncios que defendem uma ruptura mais severa da UE do que May planejava. Os anúncios atingiram de 10 milhões a 11 milhões de pessoas, segundo um relatório publicado no último sábado (13) por uma comissão da Câmara dos Comuns que investiga a manipulação das redes sociais nas eleições.
Os anúncios, que desapareceram subitamente nesta semana, estão ligados a sites da web para pessoas enviarem e-mails pré-escritos para seus representantes no Parlamento, expondo sua posição sobre as negociações de May e a UE.
"Nós votamos para sair da UE, recuperar o controle de nosso dinheiro e nossas fronteiras", dizia um dos anúncios.
Quem estava por trás da campanha continua sendo um mistério. O nome ligado a ela era Mainstream Network ["rede da corrente dominante"], grupo que não parece existir na Grã-Bretanha, além dos anúncios e de um site. Não há informação no Facebook ou no site da Mainstream Network sobre quem dirige a organização.
O painel do governo, a Comissão de Digital, Cultura, Mídia e Esporte, disse que as postagens salientaram a constante dificuldade do Facebook para monitorar publicidade política em sua plataforma.
"Aqui temos um exemplo de uma organização claramente sofisticada que gasta muito dinheiro em uma campanha política, e absolutamente não temos ideia de quem está por trás dela", disse Damian Collins, presidente da comissão, em um comunicado. "As únicas pessoas que sabem quem pagou por esses anúncios é o Facebook."
O grupo oficial investigou o papel das redes sociais nas eleições, incluindo a influência do Facebook na acirrada votação em 2016 para sair da UE. Espera-se que divulgue um relatório completo nas próximas semanas.
Rob Leathern, diretor de gestão de produtos do Facebook, disse que a empresa atualizará no próximo mês sua política de divulgação no Reino Unido. Ela vai exigir que os anunciantes confirmem suas identidades e acrescentem informações precisas sobre suas identidades aos anúncios.
As mudanças fazem parte de novas políticas de publicidade política que o Facebook anunciou nesta semana para usuários da Grã-Bretanha. Não só os anúncios políticos precisarão ser rotulados com mais clareza, como a empresa está montando um arquivo pesquisável de anúncios políticos que foram publicados no site.
"Sabemos que não podemos impedir a interferência eleitoral sozinhos", disse Leathern, "e oferecer mais transparência na publicidade permite que jornalistas, pesquisadores e outras partes interessadas levantem questões importantes."
O Reino Unido não é o único país que lida com financistas desconhecidos de anúncios políticos no Facebook. Nos EUA, a publicidade no Facebook de doadores desconhecidos começou a aparecer em campanhas para o Congresso. Leia mais (10/20/2018 - 18h50)
