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Dois em cada três adultos têm excesso de peso em Campo Grande

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Há anos, Campo Grande vive, na prática, o cenário que levou o Ministério da Saúde a lançar hoje uma ofensiva nacional contra as doenças crônicas. No lançamento do programa Viva Mais Brasil, o Governo Federal usou dados do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) que, no recorte estadual, indica 62,8% dos adultos da Capital com excesso de peso, índice ligeiramente acima da média brasileira, que ficou em 62,6%. Em 18 anos, o avanço foi rápido e contínuo. No ano de 2006, menos da metade da população adulta de Campo Grande estava acima do peso, com taxa de 43,4%. Desde então, o percentual só cresceu e atingiu o maior patamar da série histórica em 2023. Na prática, isso significa que o excesso de peso deixou de ser exceção e passou a ser regra na cidade. O recorte por sexo mostra que os homens seguem liderando os índices, com 65,9% da população masculina adulta acima do peso, contra 59,1% entre as mulheres. A diferença existe, mas não é confortável. O crescimento é paralelo e constante entre ambos, o que indica que o problema não está restrito a um único grupo. A faixa etária mais afetada ajuda a explicar o impacto futuro sobre o sistema de saúde. Entre adultos de 35 a 44 anos, 82,1% dos homens e 68,5% das mulheres apresentam excesso de peso. Trata-se justamente da população em idade produtiva, mais exposta a jornadas longas de trabalho, sedentarismo e estresse. Entre jovens de 18 a 24 anos, os índices são bem menores, o que reforça que o problema se intensifica ao longo da vida adulta. Os dados também desmontam a ideia de que maior escolaridade funciona como escudo automático. Em Campo Grande, o excesso de peso cresce ao longo do tempo em todos os níveis de estudo, inclusive entre pessoas com 12 anos ou mais de escolaridade. Informação, sozinha, não tem sido suficiente para frear a tendência. No ranking das capitais brasileiras, Campo Grande aparece no grupo com percentuais mais elevados, à frente de cidades como Curitiba, Recife, Belo Horizonte e Goiânia. Não lidera a lista, mas também está longe de qualquer posição confortável. O diagnóstico local dialoga diretamente com o quadro nacional apresentado pelo Ministério da Saúde. O Vigitel apontou que, no Brasil, o número de adultos com diabetes cresceu 135% entre 2006 e 2024, enquanto a obesidade mais que dobrou no período. Os investimentos anunciados nesta quarta-feira são de R$ 340 milhões para ações de promoção da saúde, estímulo à atividade física e fortalecimento da atenção básica no SUS (Sistema Único de Saúde).



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