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Canetas emagrecedoras mudam forma de consumo, alimentação e hábitos de famílias

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O uso das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos à base de substâncias como semaglutida e tirzepatida, tem provocado mudanças que vão além da perda de peso. Em muitas famílias, o tratamento tem impulsionado transformações na alimentação, na rotina e até nos hábitos de consumo, com reflexos diretos na qualidade de vida.  É o caso de Fabiane Mendonça de Lima, que começou o tratamento em maio de 2025. Desde então, já perdeu 32 quilos e ainda pretende eliminar mais 15. “Fui motivada pelo desejo de melhorar a saúde, principalmente em relação ao peso e ao controle do apetite”, conta.  Com a redução da fome, Fabiane passou a se alimentar melhor e ganhou mais disposição para o dia a dia. “A disposição melhorou bastante, o que facilitou as atividades diárias”, afirma ao lembrar que a nova energia permitiu a inclusão de caminhadas e exercícios leves na rotina. Mudanças de hábitos -  As mudanças também chegaram à família. “Me senti mais presente e com mais energia para cuidar da família, que também começou a adotar hábitos mais saudáveis”, diz. Entre os avanços na saúde, ela destaca o melhor controle do açúcar no sangue.  As mudanças ficaram evidentes também nas compras do mês. “Reduzi o consumo de alimentos processados e aumentei a compra de saladas, frutas, legumes e proteínas magras”, relata. O consumo de bebida alcoólica diminuiu, as idas à farmácia para remédios inibidores de apetite praticamente cessaram e a academia passou a fazer parte da rotina.  Para Fabiane, o medicamento é um apoio, não uma solução isolada. “Vejo como um suporte importante para mudar hábitos e melhorar a saúde.”  No caso dela, a transformação começou por influência dentro de casa. O marido iniciou primeiro uma reeducação alimentar por questões de saúde. Com os resultados dele, Fabiane buscou acompanhamento médico e recebeu a indicação da medicação. Juntos, o casal já soma uma perda de 72 quilos, 32 dela e 40 dele. Lembrando que o esposo não utilizou caneta emagrecedora  Hábitos antigos -  Outra história que reflete a mudança de hábitos é a de Priscila de Oliveira Moraes Breve, de 37 anos, mãe de duas crianças de 3 e 6 anos. Ela começou o tratamento em setembro de 2025 e já eliminou 17 quilos. Antes disso, a rotina era marcada por compulsão alimentar, noites mal dormidas e sedentarismo. “Sempre tive tendência a engordar e descontava tudo na comida. Quando estava feliz, eu comia. Quando estava frustrada, principalmente por causa do trabalho, eu também comia. Isso virou uma compulsão alimentar”, relata. Consultora de viagens, Priscila passava longos períodos em frente ao computador, sem horários para se alimentar e recorrendo a fast-food e doces diariamente. O ganho de peso afetou a autoestima e, segundo ela, chegou a desencadear episódios de depressão. “Eu não estava mais me reconhecendo. Foi quando percebi que precisava de ajuda e comecei a fazer terapia. Aprendi que, para cuidar dos meus filhos e da minha casa, eu precisava primeiro cuidar de mim”, conta. Após procurar uma clínica especializada, passou por exames, iniciou suplementação vitamínica, acompanhamento com nutricionista e, como complemento, começou o uso da medicação. “No começo eu queria algo rápido, quase milagroso, porque já tinha feito várias dietas e sempre engordava tudo de novo. Mas entendi que era um processo”, afirma. Com a sensação de saciedade proporcionada pelo remédio, Priscila conseguiu controlar a compulsão, principalmente por doces, e seguir a dieta. Hoje, a rotina é completamente diferente.  “Agora durmo mais cedo, acordo disposta, vou à academia e parei para comer com mais atenção. Incluo legumes, salada e frutas, coisas que antes eu raramente ingeria”, afirma.  Segundo ela, as mudanças trouxeram mais foco, menos estresse e mais disposição para a convivência com os filhos.  Visão de especialista -  Apesar dos benefícios, especialistas alertam para os desafios emocionais que podem acompanhar processos de emagrecimento acelerado, seja com medicamentos ou cirurgia bariátrica. A psicóloga Fabiana Silvestre explica que, em alguns casos, o uso de remédios como o Mounjaro é indicado, desde que haja acompanhamento médico, exames e análise do histórico clínico, incluindo comorbidades e fatores familiares.  Segundo ela, pesquisas indicam que o medicamento não atua apenas na redução do apetite, mas também no cérebro, diminuindo a compulsão alimentar e o chamado “food noise”.  A especialista ressalta, no entanto, que a medicação isolada não garante resultados duradouros. “Para que as mudanças sejam efetivas, é preciso constância e disciplina no dia a dia, buscando sempre a melhor versão possível das escolhas alimentares”, afirma. Fabiana destaca que os remédios ajudam a reduzir a fome física e emocional, criando uma oportunidade para a formação de novos hábitos.  “Sem mudanças de comportamento, o risco de reganho de peso após a suspensão da medicação é alto”, completa.  Fabiana também chama atenção para a relação emocional, social e cultural com a comida, que vai além da nutrição. “Muitas pessoas buscam alimentos como forma de conforto, ligados a memórias afetivas”, explica. Para ela, a compulsão alimentar tem múltiplas causas, envolvendo prazer, culpa e experiências de vida, o que exige acompanhamento psicológico.  A especialista alerta ainda para a possibilidade de migração de compulsões, como para o consumo de bebidas alcoólicas, caso os fatores emocionais não sejam tratados, e defende um tratamento multidisciplinar. “Não existem soluções mágicas. Mudanças duradouras são construídas diariamente, com apoio profissional.” Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. 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