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Ouçamos Antônio Carlos Jobim

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Por Diego Almeida

O ano de 2026 será de grandes turbulências. Ano de eleições gerais, embates políticos, tudo isso exigindo muita serenidade e responsabilidade. Por isso, nada melhor do que nos fortalecermos artisticamente, porque se a arte não pode alterar o mundo diretamente, pode atenuar os dissabores da vida.

O poeta Ferreira Gullar bem disse: a arte existe porque a vida não basta. E a arte de Antonio Carlos Jobim, nosso “maestro soberano” (Saravá Chico Buarque!), é de uma grandeza solar. Do século XX, Jobim foi, sem dúvidas, um dos maiores compositores. Não só da música popular brasileira, mas da música mundial.

Isso é facilmente comprovado por meio das inúmeras gravações de suas canções. Em todos os formatos, incluindo os camerísticos (formação mais encontrada na música clássica, mas também no Brasil Profundo, com seus grupos instrumentais populares, como grupos de pífanos, trios de forró e baião), orquestrais, trios, quartetos, quintetos de jazz.

Por curiosidade, de acordo com a biografia publicada por Sérgio Cabral (pai), “Por Causa de Você”, parceria com Dolores Duran, conta com 68 gravações, contabilizadas de 1957-1996. Dos mais variados artistas brasileiros e estrangeiros. De Sylvia Telles a Ella Fitzgerald.

Nascido em 25 de janeiro de 1927 (falecido em 1994), comemoramos seus 99 anos de nascimento com muita celebração este ano. Mas em 2027, ano de seu centenário de nascimento, será ainda mais surpreendente com muitos lançamentos já anunciados.

Uma fotobiografia por Ana Lontra Jobim, e um disco com releituras em versão folk, pelo documentário “Folk Jobim, documentário musical de 100 anos de Tom Jobim”, conduzidos pelo trio formado pela cantora Roberta Campos, pelo maestro Shelly Berg e pelo produtor Rodrigo Rios.

Jobim continua formando gerações e gerações de novos músicos.

E ouvintes, também, é claro. Mas é preciso que sejamos ouvintes mais atentos à obra de Jobim. Por ocasião dos seus 99 anos, e em razão de recentes lançamentos fonográficos com propostas Bossa Nova, precisamos lembrar sempre que Jobim é muito maior do que a prateleira chamada Bossa Nova.

Sim! Ouçamos Antonio Carlos Jobim! Escutá-lo é inevitável. Afinal, Garota de Ipanema continua sendo uma das canções brasileiras mais gravadas no mundo. Mas agora, ouçamos Jobim.

Estou me valendo de uma distinção já bastante corrente: a diferença entre ouvir e escutar (que remonta aos escritos bíblicos, na expressão “quem tem ouvidos, ouça” – Mateus 13:9; posteriormente habilmente utilizada pelo filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, em seu Zaratustra).

No contexto da crítica musical, a distinção é apresentada no prefácio à edição do livro “Como Ouvir e Entender Música”, do compositor Aaron Copland. Funcionando (a distinção) como fio condutor por todo o livro.

Basicamente, escutar representa uma audição passiva de música. Como por exemplo, deixá-la tocando enquanto trabalha, realiza afares domésticos etc. Já ouvir, representa uma audição ativa, buscando notar elementos e mantendo diálogo permanente com a música.

É simples. Basta que ouçamos essa composição de Heitor Villa-Lobos, “Na Corda da Viola”:

Villa-Lobos – Na corda da viola (do Guia prático) (Sonia Maria Strutt, piano)

Agora ouçamos a composição Stone Flower (Quebra-pedra), de Antonio Carlos Jobim, com arranjo de Eumir Deodato:

Antônio Carlos Jobim – Stone Flower – 05 Stone Flower

E por fim, ouça essa versão de Stone Flower, para piano solo, interpretada por Itamar Assiere e arranjo de Eumir Deodato:

Tom Jobim – Quebra-pedra (arr. Eumir Deodato) (Itamar Assiere, piano)

Capa do disco Stone Flower, lançado em 1970 pela CTI Records. Produzido por Creed Taylor. Arranjos de Eumir Deodato.

Capa do disco Stone Flower, lançado em 1970 pela CTI Records. Produzido por Creed Taylor. Arranjos de Eumir Deodato.

Meus caros 3 leitores, “ouvintes meus, meus irmãos?” (Saravá Arrigo Barnabé), Notaram alguma semelhança?

Para compreender melhor, de antemão, é importante sabemos que Jobim apaixonado por Heitor Villa-Lobos. Também sabemos que Jobim, ainda adolescente, por meio da pianista Lucia Branco e pelo compositor Hans-Joachim Koellreutter, teve contato mais direto e diário com a música clássica.

Arthur Moreira Lima, João Carlos Martins e Antonio Carlos Jobim, na casa de Tom na rua Peri, no Jardim Botânico. Acervo Antonio Carlos Jobim.

Arthur Moreira Lima, João Carlos Martins e Antonio Carlos Jobim, na casa de Tom na rua Peri, no Jardim Botânico. Acervo Antonio Carlos Jobim.

No recente documentário Elis & Tom, 2023, dirigido por Roberto de Oliveira

e Jom Tob Azulay, em uma passagem, Elis afirma que Tom amava Ary Barroso e Villa-Lobos. No que Tom confirma, e ainda os chama de “seus monstros sagrados”.

Para além dessas afinidades eletivas, é inegável que Jobim, por sua formação de pianista, se valeu de procedimentos comuns na música clássica, e aproveitou um material melódico. No caso, uma composição de Villa-Lobos, lançada na coletânea Guia prático, Album 1, W277, chamada Na Corda da Viola.

A coletânea é uma reunião de temas folclóricos, em arranjos para piano solo. Inicialmente foi composta para piano solo, mas depois ganhou texto, tornando-se uma das canções mais presentes no repertório pianístico brasileiro.

Jobim são mil Tons (com sua licença, Caetano Veloso). Todos da mais alta importância para a cultura brasileira. O que temos de melhor. Há o Jobim da Bossa Nova, mais praieiro. Há o Jobim mateiro (Sabiá, Matita Perê, Urubu, Boto, Passarim, Borzeguim), mais voltado para questões ecológicas, tendo como fio condutor a Mata Atlântica, com toda sua riqueza e diversidade.

E há também o Jobim “eruditinho”. Certa vez, perguntado sobre sua música, respondeu: Ah! Eu sou um mestiço de música popular com erudito. Sou um eruditinho.

Modéstia sua. Um erudtinho de mão cheia. Capaz de elaborar, criativamente, um material melódico, adaptando para outras formas (Stone Flower é, em termos rítmicos, um maracatu) e ambientes, mantendo a herança cultural mais viva de seu povo.

Não seria exagerado dizer que com essa forma de composição, Jobim se aproxima de Villa-Lobos, mas com a roupagem da música popular brasileira, tanto urbana (samba carioca) como rural (maracatu). Procedimento que se assemelha, também, de compositores como Béla Bartók e o já citado Aaron Copland.

Quem tem ouvidos, ouça!

Diego Almeida é um advogado profundamente admirador das artes.

Leia mais: Bach: o fim de um mundo, o começo de todos

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