Nove anos após matar um jovem de 18 anos em Campo Grande, a servidora pública estadual Michelly Pereira de Queiroz foi oficialmente demitida do cargo que ocupava na SED (Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul). A penalidade, divulgada nesta quinta-feira (5), foi assinada pelo controlador-geral do Estado, Carlos Eduardo Girão de Arruda. Em julho de 2018, Michelly foi condenada a 10 anos pelo crime. Ela ocupava o cargo efetivo de agente de atividades educacionais. A penalidade de demissão é prevista em casos de condenação pela justiça comum à pena privativa de liberdade superior a 4 anos e por incontinência pública ou escandalosa. Wesley Julião Barbosa Almeida, de 18 anos, conhecido como "Mascote", foi executado a tiros na manhã de 14 de janeiro de 2017, no Bairro Itamaracá, em Campo Grande. Conforme informações da Polícia Militar, ele estava em frente à casa da mãe, quando uma caminhonete se aproximou e um dos ocupantes começou a atirar. Segundo testemunhas, dentro do veículo havia um casal, e a mulher incentivava o homem a continuar disparando contra a vítima. Na tentativa de fugir, Wesley correu e entrou em uma casa na Rua Joana Maria de Souza, onde caiu morto. Ele foi atingido por dois tiros nas costas, na região lombar. Wesley tinha passagens por furto, roubo, porte ilegal de arma e tentativa de homicídio. Vinte dias após o homicídio, Eduardo dos Santos Silva e a esposa, Michele Queiroz, ambos com 30 anos à época, se apresentaram à polícia e foram presos acusados de matar Wesley. O pai de Michele, um policial civil aposentado de 57 anos, também foi preso sob acusação de fornecer o revólver calibre 38 e a caminhonete S10 prata utilizados no crime. Eduardo, que cumpria pena na casa do albergado, afirmou à polícia que flagrou Wesley rondando o local por diversas vezes com a intenção de matá-lo. No dia do crime, segundo ele, a vítima teria levado a mão à cintura, insinuando estar armada, momento em que sacou o revólver e efetuou os disparos. A versão apresentada por testemunhas diverge do relato do atirador. Conforme os depoimentos, Wesley estava em frente à casa da mãe, acompanhado da esposa e do filho de dois anos, quando a caminhonete se aproximou e os disparos começaram. Era Michele quem dirigia o veículo enquanto o marido efetuava os disparos. Após o crime, a polícia identificou a placa da caminhonete e chegou até o endereço do proprietário. No local, o pai da servidora foi preso em flagrante. Dentro do veículo foram encontrados uma carabina calibre 22 sem documentação e um celular roubado. Ele confessou ter emprestado o carro à filha e ao genro, alegando que ambos vinham sendo ameaçados por Wesley. Condenados - Eduardo, Michelly e o pai dela foram levados a julgamento pelo assassinato de Wesley. O julgamento ocorreu na 1ª Vara do Tribunal do Júri, no dia 26 de julho de 2018. Eduardo e Michelly foram condenados pelo homicídio. O pai, que respondia por porte ilegal de arma de fogo, foi absolvido. Apesar da condenação criminal, Michelly permaneceu como servidora pública até que a sentença se tornasse definitiva, o que ocorreu em 2024 no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), seguindo posteriormente para instâncias superiores. Somente em fevereiro de 2026 foi publicada a resolução que oficializou sua demissão do serviço público estadual. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.