Técnicos de enfermagem são denunciados por homicídios ocorridos no Hospital Anchieta (DF)
A Polícia Civil do Distrito Federal concluiu o inquérito que investigava três mortes ocorridas na UTI do Hospital Anchieta, no fim de 2025. As investigações resultaram no indiciamento de três técnicos de enfermagem suspeitos de provocar as mortes de pacientes internados na unidade de saúde.
O caso foi encaminhado ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que apresentou denúncia por homicídio doloso contra os profissionais.
Os denunciados são Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos. Além disso, o Tribunal do Júri de Taguatinga decretou a prisão preventiva dos três suspeitos, que foi cumprida na madrugada da última terça-feira, 10. Com a decisão, eles permanecem presos por tempo indeterminado enquanto o processo judicial segue em andamento.
De acordo com a investigação conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), as mortes ocorreram entre 17 de novembro e 1º de dezembro de 2025 dentro do hospital. As vítimas foram: a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, moradora de Taguatinga; o servidor público João Clemente Pereira, de 63 anos, do Riacho Fundo I; e o também servidor público Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, residente em Brazlândia.
Segundo a polícia, os três profissionais teriam aplicado doses excessivas de medicamentos nos pacientes internados na UTI, o que teria provocado paradas cardíacas nas vítimas. As mortes foram classificadas pelos investigadores como homicídios triplamente qualificados, por envolverem emprego de veneno, traição ou meio insidioso e utilização de recursos que dificultaram a defesa das vítimas.
As investigações apontam que Marcos Vinícius e Marcela Camilly participaram das três mortes, enquanto Amanda Rodrigues foi indiciada por duas delas. Caso sejam condenados pela Justiça, Marcos Vinícius e Marcela podem receber penas que somadas podem chegar a até 90 anos de prisão. Já Amanda poderá cumprir até 60 anos de reclusão.
Ainda segundo a Polícia Civil, Marcos Vinícius também foi indiciado por outros crimes relacionados à fraude documental. De acordo com o inquérito, ele teria acessado o sistema de prescrição de medicamentos utilizando a conta de um médico.
A partir desse acesso, prescrevia substâncias inadequadas ou em doses potencialmente letais, retirava os medicamentos na farmácia do hospital e escondia as seringas no jaleco para entrar nos leitos sem levantar suspeitas.
Casos
Em um dos casos investigados, as autoridades relataram que o técnico teria aplicado desinfetante com uma seringa mais de 10 vezes em uma paciente idosa de 75 anos. Para ocultar a ação, os investigadores afirmam que o suspeito aguardava a reação das vítimas às substâncias administradas.
Quando os pacientes entravam em parada cardíaca, ele realizava manobras de massagem cardíaca para simular uma tentativa de reanimação diante de outros profissionais de saúde.
O caso veio à tona após o próprio Hospital Anchieta comunicar às autoridades sobre situações consideradas atípicas envolvendo pacientes internados na UTI. A unidade hospitalar instaurou um comitê interno de análise e, em menos de 20 dias, reuniu evidências por meio da análise de prontuários médicos e imagens das câmeras de monitoramento instaladas nos leitos.
Inicialmente, os suspeitos negaram envolvimento nas mortes. No entanto, segundo a polícia, eles confessaram os crimes após serem confrontados com as imagens registradas pelas câmeras de segurança.
A Polícia Civil informou ainda que o inquérito foi concluído no dia 6 de março e encaminhado ao Ministério Público, responsável por conduzir a denúncia criminal. Devido ao sigilo judicial do processo, novas informações sobre o caso não devem ser divulgadas neste momento.
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