Itamaraty revoga visto de assessor de Trump e Lula diz que entrada no Brasil está “proibida”
O Ministério das Relações Exteriores revogou o visto de Darren Beattie, assessor sênior do Departamento de Estado do governo Donald Trump para temas ligados ao Brasil, e proibiu a entrada do norte-americano no país. A medida foi confirmada após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmar, nesta sexta-feira, 13, que Beattie não poderá desembarcar no Brasil na próxima semana.
Beattie tinha viagem prevista e um dos compromissos apontados era a tentativa de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso na Papuda, em Brasília. A visita, porém, foi vetada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o Itamaraty informar que o encontro poderia caracterizar “indevida ingerência” em assuntos internos do Estado brasileiro.
Em declaração durante evento, Lula vinculou a decisão à questão do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de seus familiares. Segundo o presidente, Beattie só entrará no país quando os Estados Unidos reverterem o bloqueio relacionado a Padilha, à esposa e à filha do ministro. “Aquele cara americano que disse que viria para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que está bloqueado”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Bloquearam o visto do Padilha, o visto da mulher dele e o visto da filha dele de 10 anos”.
A fala ocorreu durante agenda no Rio de Janeiro, na inauguração do Setor de Trauma do novo Hospital Federal do Andaraí (HFA). Além de Padilha, participaram do evento o prefeito Eduardo Paes, a primeira-dama Janja Lula da Silva e outros ministros.
Antes do veto definitivo ao encontro, a defesa de Bolsonaro havia pedido a Moraes autorização para que a visita fosse marcada de forma excepcional nos dias 16 ou 17 de março, alegando agenda do assessor norte-americano. Moraes chegou a autorizar a visita para a quarta-feira, 18, dentro do calendário usual da unidade prisional, mas recuou depois de solicitar informações ao Itamaraty e receber a avaliação diplomática de que a reunião poderia ter caráter de interferência externa.
Fontes da diplomacia indicam que a revogação do visto foi tomada com base no princípio de reciprocidade. Nos bastidores, integrantes do governo também sustentam que Beattie teria apresentado justificativas diferentes sobre o motivo da viagem, ponto que pesou para o cancelamento da autorização de entrada.
Leia também
Trump volta a questionar presença do Irã na Copa de 2026 e cita “segurança”
O post Itamaraty revoga visto de assessor de Trump e Lula diz que entrada no Brasil está “proibida” apareceu primeiro em Jornal Opção.
