A 3ª Vara Criminal do Fórum de Campo Grande avançou nesta terça-feira (14) na instrução da ação penal que julgará quatro réus por esquema milionário de fraudes no Detran-MS (Departamento de Trânsito de Mato Grosso do Sul). Ao todo, 39 testemunhas foram listadas para prestar depoimento. Já foram ouvidas as pessoas elencadas para falar pela acusação e hoje, começaram a depor as testemunhas de defesa. Segundo o advogado Micaio Olegário Monteiro, que atua na defesa de Hudson Romero Sanches, despachante que alega ter tido dados roubados antes de ser implicado no esquema, até o momento, os depoimentos têm favorecido seu cliente. “Estamos chegando ao final das oitivas e nenhuma testemunha mencionou o nome dele. Para a defesa, isso é muito importante e reforça a possibilidade de absolvição”, afirmou. O advogado destacou ainda que algumas testemunhas ainda não foram localizadas, o que pode impactar a continuidade da fase de instrução. O advogado Ewerton Bellinati, que acompanha a defesa de Yasmin Osório Cabral, ex-servidora do Detran, explicou que o processo segue dentro do rito previsto, com a oitiva das testemunhas antes do interrogatório dos réus. Segundo ele, o número elevado de pessoas a serem ouvidas tem tornado as audiências mais longas e fragmentadas. Bellinati também ressaltou que, por conta do sigilo do processo, não é possível detalhar o conteúdo dos depoimentos. “Está caminhando dentro do devido processo legal. As defesas estão atuando e o objetivo é chegar a um veredito”, afirmou. A próxima audiência já está marcada para o dia 22 de maio, às 13h30, quando devem ser ouvidos os réus do processo. Entenda o caso – As investigações apontam a existência de um esquema estruturado de fraudes dentro do Detran-MS, envolvendo servidores e despachantes. De acordo com as apurações, o grupo atuava na alteração de dados de veículos, liberação irregular e inserção de informações falsas no sistema do órgão, muitas vezes sem vistoria. Entre os investigados está o despachante David Cloky Hoffmann Chita, apontado como o principal articulador do esquema. Também são citados Hudson Sanches, Yasmin Cabral e Edilson Cunha Nogueira. Um dos principais focos do esquema era a regularização ilegal do chamado “4º eixo” de caminhões, prática que aumentava a capacidade de carga dos veículos sem atender às exigências legais. As investigações indicam ainda que o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas e recebimento de vantagens financeiras. O esquema teria movimentado cerca de R$ 17 milhões.