Metrópoles e DCM apontam “ligação” do Estadão com gestora ligada ao Banco Master
Quando os grandões brigam, escalpelando-se, os pequenos ficam sabendo das coisas e, de quebra, podem rir um pouco de seus, digamos, problemas. Diz-se, com algum acerto, que chumbo trocado não dói.
É o que está acontecendo com a batalha quase campal entre o portal Metrópoles, do ex-senador Luiz Estevão, e o jornal “O Estado de S. Paulo”.
O “Estadão” publicou uma ampla reportagem informando que o Metrópoles recebeu 27 milhões do Banco Master (https://tinyurl.com/47ap23bz), de Daniel Vorcaro.
O Metrópoles ficou quieto por um tempo, ou melhor, estava pesquisando a situação financeira do “Estadão”.
Na sexta-feira, 17, o Metrópoles deu o troco e publicou reportagem — ecoada pelo portal Diário do Centro do Mundo — informando que o jornal paulista “captou 142,5 milhões de reais no mercado”. O “Estadão”, de acordo com o portal, “acumula prejuízo de 159 milhões de reais”.
Para obter os 142,5 milhões de reais, sublinha o Metrópoles, o “Estadão” buscou os préstimos de uma gestora de investimentos, a Trustee DTVM, do empresário Maurício Quadrado, apontado pelo portal como “sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master e em outros negócios”.
O “Estadão” contratou os serviços de Maurício Quadrado em 25 de março de 2024. O empresário “já havia sofrido bloqueio de seus bens em função de investigação da Polícia Federal, que apurava o pagamento de propina a funcionários da Caixa [Econômica Federal] em troca de liberação de empréstimos”.
O Metrópoles acrescenta que, no momento, “Maurício Quadrado e a Trustee são investigados pela PF por suspeita de lavar dinheiro do Banco Master. A gestora também é alvo da PF em um esquema de ocultação de dinheiro oriundo de adulteração de combustíveis, operada, inclusive, por integrantes do PCC”.
O “Estadão” buscou dinheiro com três bancos, Itaú, Bradesco e Santander, e nove empresários. Eles “injetaram milhões e ganharam poder na cúpula do ‘Estadão’”.
O portal de Luiz Estevão pontua que “o último balanço mostrou que o ‘Estadão’ fechou 2025 com déficit de 16,8 milhões de reais”.
A versão do DCM e do Estadão
O Diário do Centro do Mundo (que, de acordo com o “Estadão”, recebeu dinheiro do Banco Master & Daniel Vorcaro) amplia as informações do Metrópoles: “Além dos 45 milhões de reais captados com o apoio da Trustee, o ‘Estadão’ levantou outros 97,5 milhões de reais fora do mercado financeiro regulamentado. Segundo a ata da Assembleia de 15 de maio, os recursos vieram da Santalice Administração Ltda., do grupo Cutrale, que aportou 15 milhões de reais, e do Província Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégica, que colocou 82,5 milhões de reais”.
O fundo de investimentos é administrado pela Galápagos Capital. Os novos investidores teriam exigido a saída de Francisco Mesquista Neto do comando executivo de “O Estado de S. Paulo”.
O presidente executivo do “Estadão”, Erick Bretas, disse a respeito da contratação da Trustee: “O serviço de agente fiduciário é dos mais simples do mercado de capitais, quase equivalente ao de um despachante”.
“Eles fazem requerimentos, encaminham serviços burocráticos. Os problemas da Trustee, onde até sabemos, foram na gestão de fundos, não na prestação desse básico serviço de agente fiduciário. O ‘Estadão’ é uma empresa entre tantas outras 100% idôneas que usam esse tipo de serviço quando emitem debêntures”, afirma Erick Bretas.
A resposta de Erick Bretas é plausível e não há dúvida de que o “Estadão” é um jornal sério — um dos melhores do país. Mas a contratação de uma “empresa” que já era investigada pela Polícia Federal, ainda que noutra área, é estranha para a publicação que faz a defesa, diária e radicalmente, da moral e dos bons costumes. O caso do Banco Master não sai de suas manchetes. Sua cobertura é, seguramente, a mais agressiva — tanto no jornalismo factual quanto na área de opinião.
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