Também estou no time dos que consideram
"A Queda do Céu" um dos marcos deste século. Fruto de uma relação construída ao longo de muitos anos entre Davi Kopenawa e Bruce Albert, a obra examina em profundidade as ações que os não indígenas vêm desempenhando contra tudo aquilo associado à ideia ocidental de natureza. O livro trata de um projeto de modernidade em colapso, que continua a produzir precariedades para múltiplas formas de vida. Nesse contexto, a figura do homem branco e suas práticas são examinadas de modo inédito: passam a ser nomeadas, definidas e conceituadas a partir das cosmopolíticas indígenas. Sob o prisma do estranhamento indígena, os "brancos" são descritos como "forasteiros", "comedores de terra e ouro", "povo da mercadoria" e "povo que não sabe sonhar". Ao mesmo tempo, os autores lançam caminhos para relações menos predatórias com a vida, com outros povos, com os animais, as plantas e os espíritos. Trata-se de uma crítica imbuída por uma perspectiva de transformação: um recado urgente à mudança. Caso contrário, como adverte a própria obra, o céu poderá desabar sobre a cabeça de todos os viventes.
Alberto Luiz de Andrade Neto (Jaguariaíva, PR)
Leia mais (05/03/2026 - 20h30)