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Que país queremos construir?

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Folha 
Estamos a algumas horas de mais uma eleição decisiva. Por isso esta coluna é para que possamos refletir: que país queremos construir?

Porque votar não é apenas escolher quem ocupará um cargo público. É decidir quem terá poder para definir o destino das nossas florestas, dos nossos rios, dos territórios indígenas, das mulheres, das crianças, das populações tradicionais e de milhões de pessoas que dependem diretamente das políticas públicas para viver com dignidade.

Nestas eleições, não votaremos apenas para presidente. Também escolheremos governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais. São seis escolhas que, juntas, definirão a correlação de forças que governará o país nos próximos anos. Por isso é tão importante que sejamos conscientes.

E consciência significa olhar para a história, para as posições públicas, para os projetos apresentados e, sobretudo, para aquilo que cada candidatura representa.

Quando falamos de meio ambiente, falamos de água, comida, clima, saúde, cidades, agricultura, economia e vida. Quando falamos de povos indígenas, não falamos apenas de uma parcela da população. Estamos falando de povos que protegem territórios fundamentais para a biodiversidade, para as águas e para o equilíbrio climático, além de defenderem modos de vida e conhecimentos milenares.

O que esperar de gente que pensa na linha de que a a cavalaria brasileira não foi tão eficiente quanto a americana porque não exterminou os indígenas?

Outra questão importante: o que acontecerá no Congresso? Não basta escolher um presidente e imaginar que ele resolverá tudo. Senadores e deputados têm enorme poder para aprovar ou barrar leis, definir o Orçamento, alterar políticas públicas, fiscalizar o Executivo e modificar a legislação ambiental e os marcos que protegem direitos.

É por isso que precisamos olhar para toda a composição do poder. Precisamos escolher representantes que compreendam que proteger uma terra indígena não é proteger apenas uma área no mapa. Precisamos de representantes que compreendam que política ambiental não pode ser tratada como obstáculo ao desenvolvimento. Precisamos de representantes que compreendam que direitos humanos não são privilégios. E precisamos, sobretudo, recuperar a capacidade de enxergar as consequências de nossas escolhas para além dos próximos quatro anos.

Porque quem ocupa o Congresso decide sobre leis que podem durar décadas. Quem ocupa o Executivo define prioridades que podem transformar territórios inteiros. E quem chega ao poder também ajuda a definir aquilo que passa a ser considerado aceitável no debate público.

O voto é individual. A responsabilidade por ele também. Cada pessoa fará suas próprias escolhas diante da urna. Mas essas escolhas terão consequências coletivas.

A floresta não vota. O rio não vota. A onça não vota. As crianças que ainda não nasceram não votam.
Uma eleição não define apenas os governantes. Define quais ideias terão poder. E algumas ideias, quando chegam ao poder, podem proteger a vida. Outras podem colocar a própria vida em risco. Leia mais (10/02/2026 - 23h47)



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