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Quando o som também compromete a sua imagem

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Costumamos associar imagem pessoal apenas ao que é visível: roupas, postura, gestos, expressão facial. Mas a verdade é que a imagem que construímos vai muito além do que os olhos alcançam. Ela também é percebida pelo comportamento, pela forma como ocupamos os espaços, o que também inclui os espaços sonoros. Em épocas de férias, esse tema se torna ainda mais evidente. Restaurantes lotados, aeroportos cheios, ônibus, aviões, praias, rios e balneários tomados por pessoas em busca de descanso. Paradoxalmente, é nesse cenário que muitos acabam tirando a paz exatamente de quem está ao redor. O som, quando mal administrado, pode sabotar silenciosamente, ou nem tão silenciosamente assim, a nossa imagem. Não é sobre silêncio, e sim sobre respeito ao próximo É cada vez mais comum encontrar pessoas que viajam de ônibus, trem ou avião assistindo a vídeos, ouvindo áudios ou músicas em alto volume, sem fone de ouvido. O que para uma pessoa é entretenimento, para quem está ao lado se transforma em incômodo, cansaço e estresse. E aqui não se trata de regra escrita, mas de uma leitura básica de convivência: espaços coletivos pedem acordos invisíveis, e o silêncio, ou pelo menos a contenção sonora, é um deles. O mesmo acontece em restaurantes, quando conversas em tom excessivamente alto invadem mesas vizinhas. Rir, conversar e se divertir é natural, mas falar aos berros transforma uma experiência agradável em algo invasivo para quem não escolheu participar daquela conversa. E há ainda as cenas frequentes em praias e rios: caixas de som portáteis tocando músicas em volume máximo, como se aquele pedaço de natureza tivesse dono. O problema não é o gosto musical, é a imposição dele e o desconforto coletivo que nem sempre é verbalizado, mas sempre é percebido. Elegância também é saber se conter Respeitar o espaço sonoro do outro é um sinal claro de inteligência social. Pessoas elegantes não são aquelas que fazem menos barulho apenas por timidez, mas aquelas que sabem ler o ambiente, entender o contexto e ajustar o próprio comportamento. Quem não respeita o espaço sonoro transmite, mesmo sem intenção, mensagens como: falta de empatia dificuldade de convivência desatenção ao coletivo e, muitas vezes, uma postura egocentrada Tudo isso comunica, em alto e bom som. A imagem que fica No fim das contas, ninguém será lembrado apenas pela roupa que usava naquele dia, mas pela sensação que deixou. E o som tem um poder enorme de marcar experiências, tanto positivamente quanto negativamente. Cuidar da própria imagem é também cuidar do impacto que causamos no ambiente. É entender que viver em sociedade exige ajustes, respeito e consideração. O verdadeiro bom gosto não grita, não invade, não se impõe. Ele se percebe nos detalhes, inclusive no volume da nossa voz e das nossas escolhas sonoras.  



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