Um episódio de violência doméstica terminou com um barraco incendiado na noite de sábado (10), na Comunidade Nova Esperança, região do Jardim Noroeste, em Campo Grande. O fogo só não se espalhou para outras moradias porque os próprios moradores se mobilizaram para conter as chamas antes da chegada do Corpo de Bombeiros. Ao Campo Grande News , um pedreiro de 51 anos contou que os gritos de socorro alertaram os vizinhos. “O pessoal começou a gritar que estava pegando fogo e que ele estava batendo na mulher dele”, relatou. Segundo ele, quando a população chegou ao local, o incêndio já havia começado. “Ele já tinha colocado fogo ali e queria colocar fogo aqui também, em mais lugares.” De acordo com os vizinhos, a mulher foi agredida durante uma discussão e conseguiu fugir pelos fundos do terreno. “Ele estava enforcando ela e dando soco no rosto. A gente conseguiu separar”, disse uma vizinha de 37 anos, que mora no local com o marido e quatro filhos. Ela disse que o agressor ameaçou incendiar a casa caso a companheira não saísse. A mulher conseguiu escapar pulando o muro, pois não conseguia passar pela frente da residência. “Ela estava machucada e queria ir embora, mas ele estava ali. Aí ela saiu pelos fundos e pulou o muro”, afirmou a moradora. Após a fuga da vítima, o homem voltou ao barraco e iniciou o incêndio. “Depois que ela saiu, ele foi lá e começou com o fogo,” relatou. Segundo os vizinhos, objetos foram jogados dentro da casa antes e durante o incêndio. “Ele jogou lâmpadas, coisas dentro da casa. Ainda bem que não acertou as crianças,” disse a mulher. O fogo provocou correria e medo, principalmente porque os barracos da área são feitos de lona e madeira. “Se pega em um, pega em todos”, afirmou a moradora. De um lado havia um bebê recém-nascido e, do outro, uma idosa que vive com a neta com deficiência. Com a água fraca na região, os moradores improvisaram um mutirão para apagar as chamas. “Um vizinho abriu o portão da piscina e todo mundo foi no balde. Fizemos um cordão humano”, contou o pedreiro. Segundo ele, cerca de 30 a 40 pessoas ajudaram a conter o fogo. “Se pega tudo ali, queimava tudo daquele lado.” O Corpo de Bombeiros chegou cerca de 20 minutos depois e finalizou o combate ao incêndio. A Polícia Militar também foi acionada e realizou buscas, mas o agressor não foi localizado. Até o fim da noite, nem ele nem a mulher haviam retornado à comunidade. Moradores afirmam que as agressões eram frequentes. “Ela apanhava direto. Ficava dois ou três dias e acontecia tudo de novo”, disse a vizinha. “Ontem ele passou do limite. Machucou muito ela.” Com cerca de 240 a 250 famílias, a Comunidade Nova Esperança enfrenta problemas antigos, segundo os moradores. “Quando seca pega fogo, quando chove alaga. Todo ano é a mesma coisa e o poder público não faz nada”, resumiu o pedreiro.