Canetas emagrecedoras: uso indiscriminado pode levar à perda de massa magra e até desnutrição em idosos, alertam especialistas
As canetas emagrecedoras têm ganhado cada vez mais espaço na vida dos brasileiros, principalmente os que buscam o “corpo perfeito”. Com essa procura incessante, cresce também o número do uso indiscriminado. E isso tem afetado, inclusive, os idosos. Especialistas alertam que o uso do medicamento pode acelerar o declínio funcional desse público.
Segundo o endocrinologista Fernando Valente, que é professor da Disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Medicina do ABC e diretor da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), as canetas são medicamentos voltados ao tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade para os pacientes que tenham ou não a comorbidade.
Porém, os efeitos colaterais que as canetas podem causar nos usuários podem refletir de maneira negativa nos idosos. “De modo geral, os efeitos colaterais são mais gastrointestinais e são de intensidade leve à moderada, mas importante sempre dizer que são transitórios. Eles também diminuem a vontade de beber. Então, a pessoa pode desidratar mais facilmente, além de náuseas, enjoo e, eventualmente, até vômitos”, afirma.
Massa magra
O presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) em Goiás, Rychard Arruda, destaca que há uma crescente procura do medicamento por parte dos idosos. Com o uso, eles podem até perder gordura, mas também perdem massa magra, processo que os médicos conhecem como sarcopenia. “Isso eleva a fragilidade. Aumenta o risco de queda e de fraturas e o idoso pode perder autonomia e independência”, destaca.
O médico destaca que, mesmo com o uso supervisionado por um profissional devidamente regulamentado, o idoso também deve criar na sua rotina o hábito de fazer exercícios físicos, principalmente musculação, reforçar a hidratação e consumir adequadamente proteínas.
“A tirzepatida pode salvar a vida do idoso, desde que bem indicada. É um medicamento moderno e seguro quando bem conduzido. O objetivo é viver mais e melhor, com força e autonomia.”
Nutrição
A nutricionista Simone Fiebrantz Pinto, especialista em gerontologia e membro do conselho consultivo da SBGG, afirma que, como as canetas prolongam uma saciedade, é importante com que o paciente tenha uma atenção especial à alimentação.
Corroborando com os demais entrevistados, ele lembra que a massa magra do idoso deve ser preservada para evitar fraturas. Ela também destaca que o músculo tem a função de captar a glicose e, com a sarcopenia, isso pode levar a uma descompensação, caso o paciente seja diabético.
Diante do cenário, a médica alerta que é importante ter uma alimentação saudável. “O medicamento leva a uma saciedade prolongada, fazendo com que os pacientes fiquem longos períodos em jejum, alguns chegando a 18 horas. Com isso, mesmo que não seja diabético, ele pode ter hipoglicemia e desidratação. Por isso, é importante uma alimentação balanceada, saudável, com muita proteína para que seja atingida as necessidades de vitaminas e minerais e que a pessoa não entre em risco nutricional. Quem se alimenta melhor tem menos efeitos colaterais”, pontua.
Demonização do medicamento
O endócrino Fernando Valente destaca que o medicamento não pode ser visto como vilão, tendo em vista que ele tem trazido bons resultados ao tratamento de doenças.
“Ela ajuda a pessoa a reduzir os problemas mecânicos de dores nas articulações, nos joelhos, por exemplo, melhorando problemas metabólicos. Além disso, pode melhorar a pressão arterial, pode diminuir gordura no fígado e reduzir a apneia do sono.”
A nutricionista Simone Fiebrantz pontua ainda que há estudos que já mostram um efeito positivo das canetas na função renal a médio e longo prazo, além do controle da glicemia e diminuição de peso. Rychard Arruda complementa: “Existem estudos mostrando a redução de infarto, AVC e mortalidade.”
“São medicamentos muito bons. A gente precisa tomar cuidado pra não demonizá-los. O importante é ter ciência que o uso não substitui o fato de ter uma alimentação saudável, praticar exercício físico e ter um sono adequado. Tudo isso sendo feito com acompanhamento multiprofissional. Isso é o mais importante”, finaliza Fernando Valente.
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