Protestos no Irã entram no quinto dia de apagão digital; números de mortos podem chegar a 2 mil
O bloqueio quase total da internet no Irã superou 108 horas, nesta semana, em meio à mais dura repressão estatal registrada no país desde 2022. Organizações independentes alertam que a interrupção das comunicações coincide com a escalada da violência contra manifestantes, o que dificulta a checagem de dados e o acompanhamento do que ocorre nas ruas. Estimativas conservadoras falam em centenas de mortos; uma autoridade iraniana, ouvida sob anonimato pela agência Reuters, mencionou a possibilidade de até dois mil vítimas.
A ONG NetBlocks, que monitora conectividade global, afirma que o país permanece amplamente isolado do exterior desde 8 de janeiro, quando atos iniciados no Grande Bazar de Teerã se espalharam por diferentes províncias. Segundo defensores de direitos humanos, o corte também impede a mobilização interna e favorece operações de segurança sem escrutínio público.
Com a rede indisponível, entidades como a Iran Human Rights divulgam apenas números confirmados e projeções. Há relatos de milhares de detenções. Correspondentes estrangeiros apontam que chamadas internacionais foram parcialmente restabelecidas, mas comunicações locais seguem restritas.
O governo iraniano sustenta que o apagão é uma resposta a “ameaças terroristas” e a interferência externa. Em declarações à imprensa regional, autoridades repetiram a tese de que grupos estrangeiros estariam por trás dos protestos, que começaram com reivindicações econômicas, inflação elevada e desvalorização do rial, e ganharam contornos políticos.
A crise repercutiu fora do país. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, citou a possibilidade de discutir alternativas para restaurar o acesso à internet por satélite, enquanto a China reagiu a ameaças de novas sanções e defendeu seus interesses comerciais. Na Europa, governos convocaram representantes iranianos em sinal de reprovação.
No sistema multilateral, o alto-comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, disse estar alarmado com a magnitude da violência, pediu a retomada imediata das comunicações e condenou a criminalização de protestos pacíficos. Há também preocupação com hospitais sobrecarregados e com a possibilidade de processos judiciais acelerados.
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