MP e Cremego apontam que UTI inaugurada por ex-prefeito em Inhumas não reunia condições
A atual gestão da Prefeitura de Inhumas, que hoje está sob a administração do prefeito José Essado Neto, afirma ter herdado um passivo técnico e administrativo na área da saúde após a inauguração simbólica de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Municipal Monsenhor Angelino Fernandez e Fernandez, realizada no fim do mandato do ex-prefeito João Antônio Ferreira.
Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, o secretário da Fazenda e de Comunicação, Murillo Parreira, detalhou que, ao assumir a administração, a equipe técnica identificou que o espaço apresentado como UTI não atendia às exigências mínimas previstas nas normas sanitárias e hospitalares vigentes.
Segundo o secretário, a estrutura não possuía alvará da Vigilância Sanitária, autorização do Corpo de Bombeiros, rede hidráulica compatível com leitos de terapia intensiva, sistema adequado de gases medicinais, e nem equipamentos permanentes para suporte avançado de vida.
“Quando nós entramos na gestão, ficou claro que aquilo não era uma UTI pronta. Não tinha alvará sanitário, não tinha liberação do Corpo de Bombeiros, não tinha estrutura hidráulica adequada, nem equipamentos para funcionar como UTI”, afirmou Murillo.
A ausência de condições técnicas levou a prefeitura a acionar o Ministério Público de Goiás, que solicitou vistoria do Cremego. O relatório do conselho confirmou que o local não reunia requisitos mínimos para funcionamento de uma unidade de terapia intensiva, apontando falhas estruturais, ausência de licenças e inexistência de condições assistenciais.
O secretário pontuou que, além das inadequações físicas, não havia qualquer planejamento financeiro para manutenção da UTI. De acordo com os levantamentos da atual gestão, apenas para tornar o espaço apto seriam necessários cerca de R$ 6 milhões em investimentos iniciais, sem contar o custeio mensal elevado, que exige equipe médica especializada, insumos permanentes e retaguarda hospitalar.
“Uma UTI tem custo mensal muito alto. Não existia custeio garantido. A prefeitura não teria condição nenhuma de manter isso sozinha, sem o apoio do Estado”, disse.
Outro ponto levantado pela gestão atual diz respeito aos equipamentos exibidos durante a inauguração. Segundo Murillo, parte do maquinário era fruto de contratos temporários de locação, firmados por apenas dois meses, no período final do mandato anterior.
“Os equipamentos foram locados apenas para o período de novembro e dezembro de 2025, apenas para a inauguração e as imagens. Depois, os contratos terminaram e os aparelhos foram retirados”, afirmou.
A apuração do Ministério Público foi arquivada após entendimento de que, embora tenha havido irregularidade administrativa na inauguração simbólica de um serviço ainda inexistente, não ficou caracterizado dolo específico para configurar ato de improbidade administrativa. A decisão, no entanto, não altera o diagnóstico técnico sobre a inexistência da UTI.
Para a atual gestão, o laudo técnico desmonta a principal crítica direcionada ao governo municipal.“Existe um discurso de que a UTI estava pronta e que o prefeito não quis abrir. O laudo do CREMEGO mostra que isso não é verdade. Não existe UTI ali”, afirmou o secretário.
A prefeitura avalia alternativas para ampliar o atendimento de média e alta complexidade no município. Segundo Murillo, a prioridade agora é dialogar com o Governo de Goiás para verificar a possibilidade de apoio ou encampação do projeto.
“Se o Estado der sinal verde, aí sim vamos buscar os alvarás, fazer as adequações e colocar a UTI para funcionar. Caso contrário, vamos fortalecer outras frentes, como ampliação de leitos, contratação de médicos especializados e reorganização da rede”, disse. A gestão José Essado sustenta que a condução do caso reflete uma tentativa de correção de rumo, com base técnica e responsabilidade fiscal, diante de um problema herdado.
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