Suspeitos de fraudar licitações em Terenos – cidade a 31 km de Campo Grande – apresentavam “destemor à força do Estado”, justificou juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias de Campo Grande, ao dar ordem para prender o dono do Jornal Impacto, Francisco Elivaldo de Sousa, o Eli Sousa, e outras 3 pessoas durante a Operação Collusion, nesta quarta-feira (21). A magistrada determinou a prisão preventiva (por tempo indeterminado) das 4 pessoas para a “garantia da ordem pública e da instrução criminal”. Trecho da decisão judicial, dada em sigilo, diz que “os investigados apresentam destemor às forças do Estado, o que coloca em risco o meio social que toda a ação envolve, sendo portanto dever do Estado obstar tal ação, a fim de que os agentes não continuem a delinquir e gerar prejuízos à administração pública”. Para a magistrada, as prisões são necessárias para a “conveniência da instrução criminal, já que em liberdade certamente obstariam o sucesso de novas investigações, notadamente destruindo provas imprescindíveis”. May Melke registrou ainda que, ao pedir os mandados de prisão e buscas, a Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado) demonstrou “indícios suficientes da participação efetiva dos investigados na prática dos crimes” apontados. Nesta quarta-feira, além de Eli Sousa, a Operação Collusion levou para a cadeia um funcionário dele, o representante comercial Eudmar Rogers Nolasco de Faria, conhecido como Rogers Nolasco, o programador de computador, Leandro de Souza Ramos, e o chef de cozinha Antônio Henrique Ocampos Ribeiro. Os dois últimos passaram por audiência de custódia nesta quinta-feira (22) e foram mantidos presos. Eli e Rogers terão as prisões avaliadas em juízo nesta sexta-feira (23). A investigação – Na Operação Collusion, o Gaeco investiga organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública, em especial fraudes às licitações e contratos públicos, bem como crimes correlatos ligados a materiais e serviços gráficos firmados com o município de Terenos e com a Câmara Municipal de Terenos desde 2021. Francisco Elivaldo de Sousa foi preso depois que o Gaeco esteve em ao menos dois endereços ligados a ele, que se identifica nas redes sociais como o responsável pelo Jornal Impacto, revista que leva o mesmo nome, além das rádios Diamante FM 98,7, que funciona em Corguinho e Rochedo, e Segredo FM 106,3, com endereço na Capital. A Collusion foi às ruas de Campo Grande, Terenos e Rio Negro um total de 30 ordens de busca e apreensão. Outro lado – Após a confirmação da prisão, a defesa de Eli Sousa preferiu não conversar com a reportagem. O grupo Dakila divulgou nota negando qualquer envolvimento nas investigações, embora Urandir Fernandes e Eli Sousa figurem como sócios em pelo menos dois empreendimentos. O espaço segue aberto para manifestações das defesas dos outros citados.