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Morre a ensaísta portuguesa Maria Alzira Seixo, especialista em Fernando Pessoa, Saramago e Lobo Antunes

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A ensaísta, pesquisadora e poeta (bissexta, dizia) Maria Alzira Seixo morreu na terça-feira, 20, aos 84 anos. Ela tinha Alzheimer. No Brasil, exceto por um comentário da crítica Leyla Perrone-Moisés, no Facebook, não vi nenhuma referência sobre o assunto, o que revela o nosso distanciamento de um país que, queiramos ou não, é nosso irmão, parceiro de linguajar e história.

No “Diário de Notícias, de Portugal, o repórter Vítor Moita Cordeiro entrevistou vários intelectuais para comentar a respeito da notável estudiosa Maria Alzira Seixo, que, formada em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa — onde deu aulas e formou gerações —, estudou na École Pratique des Hautes Études, em Paris, com Roland Barthes (co-orientador de seu doutorado) e com o linguista Algirdas Julius Greimas (seu supervisor). Na École Normale Supérieure, foi aluna de Tzvetan Todorov, Jacques Lacan e Júlia Kristeva.

Crítica, pesquisadora e escritora, Teresa Martins Marques disse ao “DN”: “A sua bibliografia começa em 1968 com ‘A Expressão do Tempo no Romance Português Contemporâneo’”.

Sua poesia pode ser conferida em “Letra da Terra”, de 1983.

Maria Alzira Seixo é apontada por Teresa Martins Marques como “uma ensaísta de alto gabarito”. Teria escrito também “os melhores textos” a respeito do “primeiro Saramago, ainda antes do Nobel, que não tinha a divulgação que depois teve. A mesma coisa sobre o Lobo Antunes”.

De acordo com Teresa Martins Marques, Maria Alzira Seixo “era uma figura notável do ponto de vista acadêmico”. Com os livros “A Palavra do Romance — Ensaios de Genologia e Análise”, em 1986, e “Outros Erros — Ensaios de Literatura”, em 2001, ganhou o prêmio do PEN Clube.

Recebeu o Prémio Jacinto do Prado Coelho do Centro Português da Associação Internacional de Críticos, em 1999, com o livro “Lugares da Ficção em José Saramago — O Essencial e Outros Ensaios”. Ganhou, em 2002, o Grande Prémio de Ensaio Literário APE/PT com o livro “Os Romances de António Lobo Antunes — Análise, Interpretação, Resumos e Guiões de Leitura”. Levou o Prémio Vergílio Ferreira da Universidade de Évora, em 2010. Recebeu, ao todo, seis prêmios.

O percurso de Maria Alzira Seixo deve ser considerado, de acordo com Teresa Martins Marques, “extraordinário”. “Nos últimos anos, a doença de Alzheimer impediu-a completamente de continuar este percurso”. As duas publicaram, pela Editora Gradiva, o livro “Os Dias da Peste”, em 2021. “Deve ter sido a última colaboração que ela fez.”

Maria Alzira Seixo: aluna de Barthes, Greimas, Todorov, Lacan e Kristeva | Foto: Reprodução

Crítica do Acordo Ortográfico

O ensaísta, poeta e professor António Carlos Cortez disse ao “DN” que Maria Alzira Seixo era “uma das grandes figuras da universidade pública portuguesa”.

Segundo Cortez, a ensaísta “projetou a literatura portuguesa em várias universidades estrangeiras. (…) É uma docente que deixou uma marca indelével nos seus discípulos”. Seus “estudos são absolutamente fundamentais para quem quer ensinar língua, cultura e literatura a sério”.

Assim como Vasco Graça Moura, Maria Alzira Seixo era contra o Acordo Ortográfico (que o Brasil adotou, de maneira imediata, e sem reflexão).

Cortez diz que o Acordo “tem feito mal no ensino da língua aos nossos estudantes nos últimos anos”.

De fato, por que tentar criar uma identidade do que, sendo próximo, também é diferente? Uma diversidade que enriquece a Língua Portuguesa, ou, digamos, línguas portuguesas.

Retirar o acento de “apóiam” e “pára”, para ficar em exemplos de pouca relevância, melhorou a língua brasileira em que? Em nada.

Extirpar o acento de “européia” e “Coréia” não enriqueceu a língua. Deixou-a, por assim dizer, mais “frouxa”, quiçá menos viva. Quase “iguais” não são iguais — são diferentes, apesar do parentesco incontornável.

O escritor e poeta Luís Felipe Castro Mendes disse ao “DN” que Maria Alzira Seixo “dialogava com todas as figuras importantes da literatura portuguesa”. E era muito respeitada em países europeus, notadamente na França.

Maria Alzira Seixo, relata Castro Mendes, “tem estudos fundamentais sobre os grandes narradores portugueses. Acompanhou a vida literária com paixão, exigência e rigor e introduziu em Portugal os estudos de literatura comparada”.

Especialista na obra do poeta Fernando Pessoa

Leyla Perrone-Moisés sublinha que Maria Alzira Seixo se dedicava a estudos de história e crítica literária. “Ao longo da sua vida, dedicou vários passos de [sua] carreira aos estudos pessoanos, em particular (mas não só) ao ‘Livro do Desassossego’”.

Leyla Perrone-Moisés: uma das mais importantes críticas da obra de Fernando Pessoa | Foto: Facebook

Uma das mais importantes estudiosas da poesia de Fernando Pessoa, a crítica brasileira escreve que, “para a Editorial Comunicação, em 1986, Maria Alzira Seixo dirigiu e organizou uma série de volumes antológicos pessoanos na coleção ‘Textos Literários’: ‘Poemas de Fernando Pessoa’, ed. De Isabel Pascoal; ‘Mensagem’ de Fernando Pessoa, ed. de Silvina Rodrigues Lopes; ‘A Poesia de Alberto Caeiro’, ed. de Manuel Gusmão; ‘Poesias de Álvaro de Campos’, ed. de Fernando Cabral Martins, e ‘Livro do Desassossego de Bernardo Soares’, ed. da própria Maria Alzira Seixo, numa apresentação crítica, com sugestões para análise”.

Leyla Perrone-Moisés acrescenta que Maria Alzira Seixo estudou também a obra de Agustina Bessa-Luís, Vergílio Ferreira, Maria Judite de Carvalho, Augusto Abelaira e José Saramago.

A acadêmica lusa era especializada em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea, Literatura Francesa Clássica e Contemporânea e em questões da pedagogia literária.

Maria Alzira Seixo, informa Leyla Perrone-Moysés, “criou e dirigiu as revistas ‘Ariane’ (estudos franceses) e ‘Dedalus’, esta última da Associação Portuguesa de Literatura Comparada, instituição que fundou em 1968”.

“A revista ‘Dedalus’ foi uma das principais responsáveis pela divulgação, em Portugal, do chamado Pós-Modernismo”, conta Leyla Perrone-Moisés.

A vida de Maria Alzira Seixo esvaiu-se. A obra a mantém viva, o que é importante para leitores, escritores e críticos literários. A morte é, afinal, apenas um pedacinho da vida. Nem mesmo é o fim, exceto em termos físicos.

O post Morre a ensaísta portuguesa Maria Alzira Seixo, especialista em Fernando Pessoa, Saramago e Lobo Antunes apareceu primeiro em Jornal Opção.




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