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Disney não tem parque, mas tem "fila" para afiar alicate na Calógeras

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Com nome diferentão, Disney Pereira Raimundo se gaba dos 30 anos sendo chaveiro, afiador de alicates no modo antigo e até carimbeiro na Avenida Calógeras. O ofício com as chaves começou aos 17 anos, no mesmo endereço, ao lado dos Correios. Hoje, aos 48, ele não esconde o dom e a persistência que teve para fazer o negócio dar certo, principalmente com os alicates. Disney não tem parque, mas tem "fila" para afiar os acessórios de unha. Como chaveiro 24h, ele esperou 10 anos até que a primeira chamada noturna fosse feita, desde então a coisa decolou. Algusn anos depois que começou na profissão resolveu se aventurar como afiador. O que começou com uma banquinha virou oficina e loja de carimbos.  Ali, o nome de batismo, uma homenagem do pai ao criador do Mickey, divide espaço com a fama de ser um dos últimos guardiões de uma técnica que ele se recusa a revelar. Disney é chaveiro por profissão, mas afiador por teimosia. "Você aprende a abrir um carro em uma semana, mas não aprende a afiar um alicate em três anos", sentencia. Para ele, a diferença entre o serviço comum e o domínio da técnica levou uma década de tentativas e orações diárias. Enquanto máquinas dão conta de tesouras e facas, o alicate de cutícula exige trabalho totalmente manual. “É arte. Eu demorei 10 anos porque não ficava só com isso. A dificuldade é porque é manual na lima, máquina não serve. Eu afio alicate em 30 segundos, 1 minuto ou 10, depende do alicate. O estado todo me procura, arrumo de 80 a 120 por dia. São 30 anos de serviço. Cobro R$ 13 por alicate.” A banca de chaves no início chegou a ter seis funcionários. Durante 25 anos, Disney trabalhou de domingo a domingo, das 7h às 19h, atendendo chamados de emergência na madrugada. "Cansei de atender à noite. Hoje estou só na fiação e no balcão, não saio mais", conta. O movimento, no entanto, não arrefeceu, pelo contrário, só aumentou. “Esperei 10 anos pela primeira chamada noturna, desde lá tudo aconteceu.” Apesar da clientela fiel, ele olha para o futuro com o ceticismo de quem vê as profissões manuais minguarem. Para Disney, o desinteresse das novas gerações pelo trabalho braçal e a falta de paciência para o aprendizado longo estão criando um deserto de mão de obra. Por isso, ele já não ensina ninguém, nem que paguem R$ 10 mil. “As pessoas já não querem isso. Eles acham que não pode trabalhar no sol, o sol é quente mesmo. Cada vez mais as coisas vão se complicando. Vai chegar a hora que um pedreiro vai custar R$ 100 mil, mil por dia. Afiação é uma técnica e uma arte. Não vou falar o segredo.” Antigamente, o pai, já falecido, trabalhava com ele. Ficou 25 anos fazendo carimbos. Era formado e se especializou na área. A mãe também trabalhou com Disney por 21 anos, a função era no atendimento. Sobre o nome, ele conta que já chegou a ser chamado pelo símbolo da marca, Mickey. “O meu nome veio do meu pai assistir muito à Disney. Foi uma homenagem ao Walt Disney mesmo. Já trocaram meu nome, me chamaram de Mickey. Hoje é normal, tem muito nome feio por aí. Eu fiquei muito tempo com vergonha, hoje acho lindo, combina muito bem comigo.” Apesar do nome diferente, por ali a fama se construiu com o nome Michelin, que estampa a fachada. Apesar disso, quem deixa o alicate nas mãos dele busca mesmo é pelo Disney. A vergonha que sentia do nome na juventude deu lugar ao orgulho. Ele conta que foi o primeiro da região a estender o horário de sábado até o anoitecer. “Eu fui o primeiro comerciante na Calógeras, entre a Barão e Dom Aquino, a abrir de sábado depois das 12h e ficar até mais tarde, ficava até as 17h, depois 18h e por último às 20h. A fama veio de boca em boca. Agora é horário comercial, das 8h às 18h. Nunca tive preguiça.”



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