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Facções avançam sobre a política e acendem alerta em MS

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A infiltração do crime organizado na política brasileira deixou de ser caso isolado para se tornar fenômeno estrutural e crescente. O alerta é da diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, que levou o tema à tribuna do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em audiência pública sobre as regras das eleições de 2026. Em entrevista ao Campo Grande News , ela defende a criação de uma “barreira prática” para impedir que integrantes de facções ou milícias convertam poder econômico e domínio territorial em mandato eletivo. “O Brasil precisa tratar a infiltração do crime organizado na política como um problema institucional, não como um caso isolado.”  A entidade propôs que a Justiça Eleitoral possa indeferir registros quando certidões ou outros elementos indiquem vínculo do candidato com organização paramilitar, milícia privada ou grupo criminoso congênere. “A Constituição já veda a utilização de organização paramilitar por partidos políticos. O que defendemos é tornar esse comando efetivo no momento do registro.” A preocupação não é abstrata. Dados de inteligência encaminhados ao TRE de São Paulo indicam que ao menos 12 pessoas ligadas ao crime organizado foram eleitas no Estado em 2024, enquanto cerca de 70 concorreram. No Ceará, o prefeito reeleito de Santa Quitéria teve o mandato cassado por vínculos com organização criminosa. No Rio de Janeiro, um deputado suplente foi preso, já no exercício do mandato, acusado de intermediar venda de armas para o Comando Vermelho. Embora os casos mais visíveis estejam no eixo Rio–São Paulo, o avanço das facções — como PCC e Comando Vermelho — alcança áreas estratégicas, especialmente estados de fronteira. Para o cientista político Daniel Miranda, da UFMS, o risco é concreto. “Mato Grosso do Sul é corredor histórico de tráfico e contrabando. Essa presença não é nova. O que muda é a forma de atuação.” A influência do crime organizado no Estado, afirma, antecede o surgimento do PCC. “Quando o Estado perde presença territorial, o espaço político passa a ser disputado também por quem exerce poder armado.” Casos envolvendo famílias como os Jamil Georges e os Name, nos anos 1980 e 1990, mostram que a interseção entre crime e poder local não é recente. O que há agora, segundo Miranda, é sofisticação. As organizações operam como empresas: hierarquia, divisão de funções e estratégia de expansão com influência regulatória. “O crime organizado não precisa lançar candidato próprio. Atua financiando campanhas, controlando territórios e condicionando o ambiente político.” Quem movimenta grandes recursos busca moldar o ambiente institucional que afeta seus negócios. “No plano local, a influência é mais barata, rápida e eficiente — e produz efeitos regulatórios imediatos.” Em muitos casos, a estratégia inclui a busca por mandato legislativo como forma de legitimação social. “O mandato funciona como selo de normalidade.” A infiltração ocorre por financiamento de campanha, lobby informal, cooptação de agentes públicos ou influência sobre decisões municipais — muitas vezes apoiada em empresas legais usadas para lavagem de dinheiro. Enquanto buscam “lavanderias” para os lucros da cocaína — do mercado de combustíveis a operações financeiras sofisticadas — as facções avançam sobre a política. Na faixa seca com Paraguai e Bolívia — Corumbá, Ponta Porã, Bela Vista, Mundo Novo e Coronel Sapucaia — a permeabilidade tende a ser maior. Mas o fenômeno não se limita à fronteira. “A metáfora mais precisa é infiltração. Não é algo ostensivo. Vai pegando uma pessoa aqui, outra ali.” O filtro constitucional proposto ao TSE A proposta apresentada ao TSE parte do artigo 17 da Constituição, que proíbe partidos de manter vínculo com organizações paramilitares. A ideia é transformar a jurisprudência da Corte em regra explícita nas resoluções de 2026. No registro da candidatura, a Justiça Eleitoral poderia considerar certidões e informações processuais relacionadas à participação em organização criminosa ou milícia. Carolina ressalta que não se trata de criar inelegibilidade genérica com base apenas em investigação em curso. “A base é a vedação constitucional expressa.” E acrescenta: “A transparência e o monitoramento prévio são mais eficazes do que a reação tardia depois que o mandato já foi conquistado.” A Justiça Eleitoral atua mediante provocação. Ministério Público e órgãos de inteligência precisam formalizar representações. “É preciso que todo o sistema esteja atento ao fenômeno.” Siga o dinheiro Para Miranda, além do debate sobre candidaturas, o ponto central é o fluxo de recursos. “O monitoramento rigoroso do financiamento de campanha é provavelmente a ferramenta mais eficaz.” Focar apenas em histórico criminal pode ser insuficiente. “O dinheiro deixa rastros. O caixa dois é a porta mais concreta de entrada.” O impacto é duplo: além da infiltração direta, o avanço das facções também alimenta candidaturas que exploram o discurso de combate ao crime, capitalizando o medo típico de estados de fronteira. A infiltração não precisa ser explícita. “Você não precisa que o prefeito seja do crime organizado. Basta que alguém num cargo estratégico assine algo, facilite algo, deixe de fiscalizar algo.” Em áreas sob domínio consolidado, pode ocorrer um paradoxo: redução de crimes visíveis enquanto se consolida uma captura institucional silenciosa. O eleitor, preocupado com furtos e assaltos, nem sempre percebe a erosão democrática. Desequilíbrio eleitoral Para Carolina, o problema é o desequilíbrio estrutural. “Quando você tem poder econômico ilegal e poder bélico envolvidos, há uma vantagem indevida. Isso ameaça a própria ideia de disputa justa.” O risco maior é a naturalização dessa interferência como parte do jogo político local. O crescimento e a capilarização das facções — especialmente nas eleições municipais — tornam o debate urgente para 2026. A proposta atua na porta de entrada do sistema representativo, mas depende da articulação entre órgãos de controle, inteligência e Ministério Público. Chave institucional No fim, a pergunta é como impedir que a expansão empresarial das facções se converta em capital político. Para Carolina, a resposta começa pela aplicação rigorosa da Constituição. Para Miranda, passa pelo monitoramento financeiro para evitar financiamentos clandestinos, compra de votos e pela atuação coordenada das instituições. Ambos convergem: o crime organizado do século XXI é mais sofisticado e integrado ao mercado formal do que há duas décadas. Se as instituições não acompanharem essa transformação, a infiltração pode deixar de ser alerta e se tornar regra, como ensinou a era Pablo Escobar na vizinha Colômbia. E, como resume Carolina, a defesa da democracia começa antes da urna — na porta de entrada do sistema representativo.



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