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TRE-GO e UFG ampliam ferramenta contra fake news e lançam aplicativo para a população às vésperas de 2026

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Faltando meses para o início oficial do calendário das eleições de 2026, um dos maiores desafios da Justiça Eleitoral volta ao centro do debate público: como enfrentar a desinformação em um ambiente digital cada vez mais sofisticado, rápido e, muitas vezes, difícil de rastrear?

Em Goiás, uma iniciativa que começou como projeto-piloto em 2024 agora ganha novo fôlego e alcance nacional. A ferramenta de combate às fake news desenvolvida em parceria entre o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) e a Universidade Federal de Goiás (UFG), chamada de GuaIA, foi utilizada nas eleições municipais de 2024, passou por aprimoramentos técnicos e agora está sendo sondada por diversos tribunais regionais do país — além do próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que avalia incorporar a solução em âmbito nacional.

A principal novidade, porém, marca uma virada estratégica: se antes o sistema era restrito ao uso interno de servidores da Justiça Eleitoral, a partir de maio deste ano será lançada uma versão em aplicativo aberta à população. A proposta é clara — permitir que qualquer cidadão possa checar, em poucos segundos, se um conteúdo tem indícios de manipulação, inclusive deepfakes.

De projeto interno a referência nacional

A ferramenta nasceu em um contexto de preocupação crescente com o avanço da inteligência artificial generativa e o uso político da desinformação. Em 2024, quando foi implementada de forma piloto, o sistema funcionava como um painel interno: servidores do TRE-GO tinham acesso a um ambiente digital onde postagens suspeitas eram analisadas por um mecanismo semiautomático de verificação.

O programa atribuía um índice de probabilidade — numa escala de 0 a 1 — indicando se determinado conteúdo tinha características compatíveis com fake news. Quanto mais próximo de 1, maior a chance de ser desinformação. A ferramenta não substituía a análise humana, mas oferecia parâmetros técnicos, rastreabilidade e explicabilidade dos critérios utilizados.

Durante o pleito municipal, o sistema foi usado para monitorar conteúdos que circulavam nas redes sociais, principalmente aqueles com potencial de atingir candidatos, partidos ou a própria credibilidade do processo eleitoral. Segundo integrantes do projeto, a experiência de 2024 foi essencial para testar a robustez da tecnologia e ajustar falhas operacionais.

O resultado superou as expectativas. A ferramenta apresentou alto índice de precisão e agilidade na triagem de conteúdos suspeitos. Com isso, outros tribunais regionais passaram a procurar o TRE-GO para entender o funcionamento da solução e avaliar sua implementação local.

O desafio de 2026: um cenário ainda mais complexo

Se em 2024 a desinformação já preocupava, o cenário projetado para 2026 é ainda mais desafiador. Especialistas apontam que a evolução das deepfakes — vídeos e áudios manipulados por inteligência artificial — tornou-se mais acessível e difícil de detectar a olho nu.

Hoje, softwares conseguem replicar voz, expressão facial, gestos e até microexpressões com nível de realismo impressionante. Isso significa que, em período eleitoral, um vídeo falso pode circular por horas — ou até dias — antes que seja oficialmente desmentido, causando danos à reputação de candidatos e à confiança do eleitorado.

É nesse contexto que a ampliação da ferramenta ganha importância estratégica. A possibilidade de uso em escala nacional, caso o TSE avance na adoção, pode representar um divisor de águas no enfrentamento à desinformação eleitoral no Brasil.

“A ferramenta aproxima o juiz da realidade”

“Uma rede de fake news é a produção de mentiras pré-ordenadas, em série, para manchar a Justiça Eleitoral e candidatos.” A afirmação é do presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO), Luiz Cláudio Veiga Braga, ao falar sobre o cenário das eleições gerais de 2026 e o papel da tecnologia no combate à desinformação.

Sem rodeios, ele destaca que o tribunal chega ao novo ciclo eleitoral mais estruturado do que em 2024. A principal diferença está na maturidade da ferramenta de combate a fake news e deepfakes desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG).

“Em 2024 ela ainda estava em adestramento. Ferramenta de inteligência artificial não nasce pronta. Ela é capacitada ao longo do tempo. Agora, para 2026, ela já vai estar completa, com todas as possibilidades de emprego”, afirma.

A tecnologia funciona por meio de um sistema de “score”, uma pontuação que varia de 0 a 100%. A partir de 50%, o indicativo é de que o conteúdo analisado tem probabilidade relevante de ser falso. A resposta pode sair em até quatro segundos.

“Ela não afirma categoricamente que é falso ou verdadeiro. Ela aproxima da realidade. E isso dá ao juiz segurança para decidir. Se a ferramenta indica alta probabilidade de falsidade, o magistrado já tem base técnica para suspender aquela divulgação enquanto apura.”

Caso concreto e inovação nacional

O presidente cita como exemplo um episódio envolvendo o professor Alcides, alvo de conteúdo que o acusava de defender pedofilia. “Jogamos a informação na ferramenta e, em quatro segundos, veio o score: mais de 90% de probabilidade de não ser verdadeiro. E a ferramenta ainda apresenta as bases de dados que fundamentaram aquela conclusão.”

Segundo ele, a inovação está na atuação simultânea contra fake news e deepfakes. “Alguns tribunais têm ferramentas similares, mas ou atuam na fake news textual ou na deepfake de imagem e vídeo. A nossa atua nas duas frentes.”

A ferramenta também foi testada com simulações. “Criamos uma notícia fictícia dizendo que Ronaldo Caiado fazia defesa do tabaco. Na hora, a ferramenta apontou quase 100% de falsidade, indicando as fontes consultadas.”

O sistema, por ora, é restrito ao uso institucional — magistrados, promotores e procuradores eleitorais. Mas isso está prestes a mudar.

Aplicativo para a população e uso externo

O professor Eliomar Araújo de Lima, coordenador do projeto na UFG, explica que a tecnologia foi pensada desde o início para evoluir.

“A ferramenta trabalha com checagem multimodal. Ela analisa texto, vídeo, imagem e áudio ao mesmo tempo. Isso é fundamental diante da sofisticação das deepfakes”, diz.

Segundo ele, o modelo combina inteligência artificial com uma rede de especialistas. “Temos a checagem automática, feita pela IA, e a checagem humana. Isso torna o processo mais robusto e mais célere. Em eleição, tempo é determinante.”

A grande novidade para 2026 é a abertura ao público. “Vai ter acesso externo, sim. A previsão é para maio. Inicialmente por WhatsApp e Telegram, depois por aplicativo próprio. O cidadão poderá submeter um conteúdo suspeito e receber o score com as evidências técnicas.”

O aplicativo alimentará o sistema interno utilizado pela Justiça Eleitoral. “Qualquer eleitor, inclusive candidatos que se sintam atacados, poderá consultar. Ele receberá a pontuação e as razões que levaram àquela avaliação.”

Eliomar reforça que a ferramenta não substitui a decisão judicial, mas oferece subsídios técnicos. “Ela gera explicabilidade. Mostra onde buscou, quais bases analisou, quais vestígios identificou.”

A ferramenta opera a partir de um fluxo estruturado chamado “Processo de Veracidade”, dividido em cinco etapas: extração, classificação, perícia, interpretação e intervenção. Segundo o professor Eliomar Araújo, coordenador do projeto, a proposta é garantir uma análise técnica, rápida e fundamentada. “A ferramenta trabalha com checagem multimodal. Isso significa que ela analisa texto, vídeo, imagem e áudio ao mesmo tempo. Não é uma verificação superficial, é uma análise estruturada”, explica.

Na etapa de extração, o sistema realiza a coleta de dados e informações relevantes para análise. Em seguida, passa para a classificação, quando os conteúdos são categorizados com base em critérios previamente definidos. “Ela organiza o material recebido, identifica padrões e já começa a aplicar filtros técnicos”, detalha Eliomar. Esse processo inicial permite que o sistema ganhe velocidade, um fator decisivo em períodos eleitorais, quando a desinformação costuma se espalhar em questão de minutos.

Processo na qual a ferramenta opera | Foto: Divulgação

A fase seguinte é a perícia, considerada uma das mais robustas do modelo. É nesse momento que a inteligência artificial cruza bases de dados, verifica registros oficiais, analisa possíveis manipulações digitais e atribui um score de probabilidade de falsidade. “Ela não simplesmente diz ‘é falso’ ou ‘é verdadeiro’. Ela apresenta um índice e mostra as evidências que levaram àquela conclusão”, afirma o professor. Depois vem a interpretação, quando se avalia o impacto e o contexto do conteúdo verificado, permitindo compreender se há potencial de dano ao processo eleitoral.

Por fim, a etapa de intervenção prevê ações corretivas e preventivas para mitigar a disseminação de desinformação. No âmbito interno da Justiça Eleitoral, isso significa oferecer subsídios técnicos para magistrados e procuradores decidirem com mais segurança. Com a futura disponibilização ao público, o cidadão também poderá submeter conteúdos suspeitos e receber o resultado da análise. “A ideia é dar transparência e agilidade. Quanto mais rápido se identifica uma desinformação, menor o dano que ela causa”, conclui Eliomar.

Regulamentação do TSE e cenário nacional

Para as eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda deve publicar resolução específica com as diretrizes oficiais do pleito. Segundo Luiz Cláudio, o texto está em fase final de elaboração.

Presidente do TRE-GO, Luiz Cláudio Veiga Braga, em entrevista ao Jornal Opção | Foto: Samuel Oliveira/Jornal Opção

“O relator solicitou contribuições dos tribunais regionais. Encaminhamos sugestões, especialmente na área de tecnologia e limites de atuação digital. Agora aguardamos a consolidação pelo plenário.”

A tendência é de maior rigor na regulação do uso de inteligência artificial em campanhas. O TSE já sinalizou preocupação com deepfakes, impulsionamento irregular e uso de robôs.

“O TSE quer uniformizar a comunicação dos tribunais. Falar a mesma linguagem. Combater a desinformação de forma coordenada”, explica o presidente do TRE-GO.

Ele também revela que há sinalização de interesse do próprio TSE em utilizar a ferramenta desenvolvida em Goiás. “Não há nada formalizado, mas houve indicativo. Outros tribunais também já nos procuraram.”

Abstenção, biometria e descrença

Além do combate à desinformação, outro desafio para 2026 é reduzir a abstenção. Em 2022, o índice chegou a 30%.

“É um número altíssimo. Há uma descrença. Muitos pensam que tudo é igual. Mas desistir não é nobre. O voto é a maior expressão da cidadania”, afirma Luiz Cláudio.

Ele defende campanhas para estimular jovens de 16 e 17 anos e também eleitores acima de 70, que não são obrigados a votar.

“Não podemos segregar o idoso. Ele precisa participar. A eleição é para todos.”

Goiás aparece bem posicionado no ranking nacional de biometria, com cerca de 94% do eleitorado biometrizado. “Chegar a 100% é impossível, mas estamos em posição destacada.”

Judicialização e limites da propaganda

O presidente também critica o excesso de judicialização. “Perdeu a eleição, judicializa. Muitas vezes sem fundamento. A judicialização deveria ser para situações extremas.”

Sobre propaganda antecipada, ele faz distinção técnica. “O que é vedado é pedido explícito de voto antes do período legal. Homenagem cultural, por si só, não caracteriza propaganda, salvo se houver indicação de candidatura e pedido de voto.”

“A ferramenta tem poder inibitório”

Ao final, Luiz Cláudio ressalta que o maior efeito da inteligência artificial pode ser preventivo.

“A ferramenta tem um poder que às vezes é maior que o apuratório: é o inibitório. O candidato precisa saber que há instrumento que identifica, aponta e pode gerar processo punitivo.”

Já Eliomar deixa um recado direto ao eleitor: “O primeiro passo é duvidar. Conteúdo polêmico exige olhar crítico. Se não puder comprovar a fonte, não compartilhe.”

Às vésperas de 2026, Goiás se projeta como referência nacional no uso de tecnologia aplicada à integridade eleitoral. Entre regulamentação mais rígida do TSE, ampliação do uso da inteligência artificial e participação cidadã por meio do novo aplicativo, a disputa eleitoral brasileira entra definitivamente na era da checagem digital em tempo real.

E, como resume o presidente do TRE-GO: “Democracia se fortalece com informação verdadeira e participação. O resto é ruído.”

Da proteção institucional à participação cidadã

A inovação mais simbólica, no entanto, é a abertura do sistema ao público. A partir de maio, será lançado um aplicativo que permitirá ao cidadão submeter vídeos, áudios, imagens ou links para análise automática.

Na prática, o eleitor poderá receber um conteúdo suspeito no celular e, antes de compartilhar, realizar a checagem no próprio aplicativo. O sistema analisará indícios técnicos de manipulação, inconsistências digitais, padrões de edição e cruzamento com bases de dados de checagem já existentes.

A iniciativa parte de um princípio simples: combater a desinformação não é tarefa exclusiva do Estado, mas também da sociedade.

Ao transformar o cidadão em agente ativo na verificação, a Justiça Eleitoral aposta em uma cultura de responsabilidade digital. A ideia é reduzir o compartilhamento impulsivo de conteúdos enganosos — especialmente aqueles que apelam para emoções fortes, como indignação ou medo.

Transparência e confiança no processo eleitoral

Outro ponto considerado essencial pelos idealizadores do projeto é a transparência. A ferramenta foi desenvolvida com foco em explicabilidade: além de indicar o índice de probabilidade de falsidade, o sistema apresenta os critérios que levaram àquela conclusão.

Isso evita a percepção de censura ou decisão arbitrária. Em vez de simplesmente rotular um conteúdo como falso, a plataforma detalha os elementos técnicos identificados — como possíveis manipulações de imagem, edição sonora incompatível ou inconsistências no histórico de publicação.

Em um ambiente polarizado, no qual decisões institucionais muitas vezes são questionadas, oferecer clareza metodológica torna-se fundamental para manter a confiança pública.

Interesse nacional e possível expansão

O sucesso da aplicação em 2024 despertou interesse de outros tribunais regionais eleitorais, que já iniciaram tratativas para conhecer a arquitetura tecnológica do sistema. A possibilidade de padronização nacional também está em análise no TSE, especialmente diante da regulamentação mais rígida sobre uso de inteligência artificial nas campanhas.

Caso seja adotada em larga escala, a ferramenta pode se tornar a primeira tecnologia de monitoramento e checagem com origem acadêmica brasileira integrada de forma estruturada à Justiça Eleitoral.

A participação da universidade no desenvolvimento também é vista como diferencial. Pesquisadores da área de inteligência artificial, ciência de dados e cibersegurança continuam aprimorando os algoritmos, especialmente no que diz respeito à detecção de deepfakes, que evoluem rapidamente.

Impressions App já permite simular imagem de Trump e Obama, além de celebridades dos EUA | Foto: Divulgação

O STF preparou um glossário para o eleitor identificar com facilidade uma deepfake. Clique aqui.

Educação digital como legado

Além da atuação prática nas eleições, o projeto deixa um legado pedagógico. A disponibilização do aplicativo para a população tem potencial de estimular educação midiática e pensamento crítico.

Ao interagir com a ferramenta, o usuário passa a compreender melhor como funcionam manipulações digitais, quais são os sinais de alerta e por que determinadas informações são classificadas como suspeitas.

Em um país com mais de 150 milhões de eleitores, a combinação entre tecnologia, transparência e participação cidadã pode ser decisiva para reduzir o impacto da desinformação.

Leia também: TRE e UFG criam primeira ferramenta do país para combate às fake news nas eleições

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