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Compêndio da Bíblia – 7. Juízes

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  • Por Emídio BrasileiroEducador, Jurista e Cientista da Religião

O livro de Juízes é o sétimo da Bíblia e o segundo livro histórico do Antigo Testamento. Tradicionalmente atribuído ao profeta Samuel, o texto cobre um período aproximado de 350 anos, entre 1375 e 1055 a.C., desde a morte de Josué até os acontecimentos que antecedem a consolidação da monarquia com Saul. Com 21 capítulos, a obra está organizada em três partes: o período pós-Josué (caps. 1–4), o ciclo de infidelidade e restauração (caps. 5–16) e a fase de instabilidade social e religiosa (caps. 17–21).

O relato apresenta o cenário de Israel após a morte de Josué, quando, sem uma liderança central, cada tribo passou a agir de forma independente. O distanciamento dos mandamentos divinos e a adoção de práticas pagãs resultaram em crises sucessivas, marcadas por conflitos e perda de direção espiritual. A frase que sintetiza o período — “Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que parecia certo aos seus próprios olhos” — revela o ambiente de desordem moral e política.

Diante desse contexto, Deus levantou líderes conhecidos como juízes, responsáveis por conduzir o povo de volta à aliança e restaurar a estabilidade. Entre os principais nomes estão Otniel, considerado o primeiro juiz, que proporcionou 40 anos de paz; Eúde, instrumento de libertação; Sangar, lembrado por sua coragem; e Débora, profetisa que exerceu liderança marcante em um período de crise.

Também se destacam Gideão, cuja vitória com recursos limitados simbolizou confiança em Deus e resultou em quatro décadas de tranquilidade; Tola e Jair, que mantiveram a ordem por mais de duas décadas cada; Jefté, marcado por decisões difíceis; Ibsã, Elom e Abdom, que lideraram em períodos de relativa estabilidade; e, por fim, Sansão, conhecido por sua força extraordinária e por uma trajetória pessoal repleta de conflitos e arrependimento.

Mais do que uma sequência de batalhas e disputas, Juízes retrata um ciclo recorrente de afastamento, opressão, arrependimento e restauração. O livro evidencia a paciência e a misericórdia divina ao longo de uma fase turbulenta da história de Israel, além de preparar o cenário para a implantação da monarquia. A narrativa reforça a mensagem de que a estabilidade nacional e espiritual dependia da fidelidade à aliança estabelecida com Deus.

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