A guerra numa encruzilhada
Na terceira semana da guerra no Oriente Médio, o conflito no Irã parece ter chegado numa encruzilhada. Dia e noite, noite e dia, os bombardeios das forças americanas e israelenses, contra alvos ligados ao regime iraniano, são ininterruptos. Do ponto de vista tático e operacional, a campanha impressiona, mas paradoxalmente a estratégia do regime islâmico parece que, ao contrário do que se esperava a coalisão, imprime um Irã mais resiliente e fortalecido.
No Irã, cresce a percepção de que os Estados Unidos chegaram ao limite da escalada militar planejada para esta operação. Apesar da intensificação dos ataques, Washington falhou na missão de reabrir o Estreito de Ormuz, não conseguiu interromper o lançamento de mísseis e drones contra Israel assim como aos países da região.
Enquanto o Pentágono aumenta a pressão e o tom das ameaças, mas cuidadosamente evita cruzar o Rubicão e destruir toda infraestrutura do país, o regime de Teerã enxerga que o pior já passou. Entendimento que vem encorajando o Irã a exigir o fim da guerra, forçando os EUA a encararem um dilema cuja solução não será fácil.
Se a guerra continuar nessa pegada, o Irã será o maior beneficiado com o provável colapso do mercado internacional de petróleo, causado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz e a entrada dos Houtties (grupo extremista do Iêmen financiado pelo regime iraniano) no conflito. Por outro lado, se a decisão de Washington e Jerusalém for de destruição total da infraestrutura do Irã, aumenta a possibilidade da expansão de um confronto regional.
Certamente que o Irã responderá com ataques às infraestruturas energéticas e marítimas dos países do Golfo. As consequências para o mercado global de energia e a estabilidade regional serão severas e perigosamente imprevisíveis.
Washington encontra-se, neste momento, numa encruzilhada e tem apenas três opções: encerrar o confronto que pode dar ao Irã a chance de declarar vitória; continuar a campanha e correr o risco de prolongar a instabilidade por toda região, além de ser responsabilizado por uma crise internacional de petróleo; ou expandir a guerra enquanto prepara uma negociação com ampla escala regional.
Uma equação onde o tempo não atua na neutralidade. Um dia a mais de sobrevivência aos ataques da coalizão fortalece em Teerã a percepção de que pode aguentar a pressão e emergir mais forte da crise. Ação que pode enfraquecer o campo diplomático sem deixar brechas para o diálogo e uma futura negociação.
Em breve, o governo Trump e seus aliados terão que tomar uma decisão estratégica: encaminhar o conflito para um encerramento, ou se preparar para uma ação ainda mais ambiciosa que visa enfraquecer o regime iraniano significativamente, um caminho sem volta que envolve risco e incertezas.
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