Mais de 100 autoescolas já fecham as portas em Goiás após flexibilização da CNH, afirma associação
A flexibilização das regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), que retirou a obrigatoriedade de aulas em autoescolas, já começa a provocar impacto no setor das autoescolas em Goiás. Empresários relatam fechamento de unidades, queda na procura e aumento da insegurança diante das mudanças. Além disso, a decisão gerou preocupação aos donos das empresas, principalmente em relação aos impactos econômicos e trabalhistas.
Com apenas 2 meses de funcionamento da CNH do Brasil, mais de 20 centros de formação de condutores já fecharam as portas, segundo a Associação das Autoescolas de Goiás (ASSAEGO). No estado, o número passa da casa dos 100.
Ao Jornal Opção, o presidente da ASSAEGO afirmou que a mudança impacta diretamente no desemprego. “Uma audiência pública realizada essa semana, onde foi discutido o que vem acontecendo na educação do trânsito no Brasil, principalmente o desemprego. O impacto com essas medidas é que 300 mil empregos vão deixar de existir, 15 mil empresas vão fechar”, disse.
Um levantamento preliminar indica que a diminuição na demanda já afeta a procura pelas autoescolas, já que muitos candidatos optam por não contratar o serviço completo diante da flexibilização das regras. Apesar da mudança, a empresária, dona da autoescola Giacomo, afirma que muitos candidatos procuram a autoescola e buscam o método tradicional.
Além disso, ela relatou que precisou se reinventar antes mesmo da nova resolução entrar em vigor. “Quando a CNH do Brasil surgiu eu levei muito bem e me adaptei muito rápido, porque eu pensei: agora é a hora da gente corrigir o que está errado, da gente ter o nosso lucro, porque nós não somos uma ONG, a gente é uma empresa. A gente lançou promoção de R$399,00, que é o valor das duas aulas de carro e a alocação do veículo”, disse.
Outro ponto abordado pelos empresários, é que muitos alunos ainda procuram as unidades para tirar dúvidas sobre o aplicativo CNH do Brasil. A gerente da autoescola Educar, Kelly Caroline, contou que muitas pessoas não sabem ao certo como ele funciona ou relatam contratempo. “Então existe uma procura grande nas autoescolas do pessoal querendo entender. Porque quando ele chega no DETRAN as pessoas não sabem explicar ao certo como está funcionando. Algumas pessoas explicam. Mas está tendo muito contratempo no sistema e no aplicativo”, contou.
De acordo com o Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO), atualmente, o estado conta com 633 autoescolas ativas. Questionados sobre quantas empresas já haviam fechado após a mudança federal, o Detran ressaltou que não houve. Além disso, em nota, eles explicaram que não existe “descredenciamento” das unidades e sim um vencimento do credenciamento. Se o Centro de Formação de Condutores não o atualizar, ele fica automaticamente desativado.
Enquanto o novo modelo ainda se consolida, o setor de autoescolas em Goiás vive um momento de transição. Entre adaptações e incertezas, empresários temem que os próximos meses sejam decisivos para a sobrevivência de muitas empresas. Para a categoria, o chamado “fim das autoescolas” não é uma realidade consolidada, mas já começa a redesenhar o mercado e acender um alerta sobre os impactos econômicos e na formação de novos condutores no país.
Leia também: Congresso prorroga prazo para análise de MP que prevê renovação automática da CNH
O post Mais de 100 autoescolas já fecham as portas em Goiás após flexibilização da CNH, afirma associação apareceu primeiro em Jornal Opção.
