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Entre discursos da COP15, corujas vivem rotina silenciosa no coração do poder

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Enquanto autoridades de diferentes países discutem a proteção de espécies migratórias durante a COP15, em Campo Grande, um espetáculo discreto acontece do lado de fora dos auditórios e palcos oficiais. No gramado do Parque dos Poderes, em frente ao Palácio Popular da Cultura, pequenas corujas transformaram o centro político do Estado em território próprio. Entre veículos que passam, pessoas que caminham e o ritmo acelerado da rotina institucional, elas permanecem ali — imóveis por longos períodos, camufladas no chão, como se fizessem parte da paisagem. Às vezes, são duas ou três. Em outros momentos, chegam a formar pequenos grupos, com até dez aves dividindo o mesmo espaço. A cena chama atenção de quem passa com mais calma. Há quem já saiba onde olhar. Outros se surpreendem ao descobrir que, no meio do concreto e da circulação intensa, existe vida selvagem resistindo. As aves, conhecidas popularmente como corujas-buraqueiras, têm um comportamento que desafia a lógica urbana. Diferente de outras espécies, vivem no solo, em tocas, e se adaptam a áreas abertas — o que ajuda a explicar a presença constante nos gramados bem cuidados do parque. Durante o dia, ficam praticamente imóveis. À noite, saem para caçar insetos e pequenos animais. A escolha do local, segundo especialistas, pode estar relacionada à oferta de alimento e à relativa ausência de predadores naturais, mesmo em um ambiente urbano. Ainda assim, a convivência não é isenta de riscos. A proximidade com vias de circulação, a presença constante de pessoas e até eventos na região podem interferir na rotina das aves. Não há sinalização específica nem ações visíveis de monitoramento no local. O contraste com o momento vivido pela cidade é inevitável. Enquanto dentro da COP15 se discutem políticas globais para proteger espécies que cruzam continentes, do lado de fora, a biodiversidade urbana segue seu próprio curso, silenciosa, adaptando-se como pode. Ali, no coração do poder, as corujas não fazem discursos. Mas ocupam espaço — e lembram, à sua maneira, que a preservação também começa onde a gente pisa todos os dias.



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