Recado de 2024 pra 2026: Wilder Morais pode ficar mais isolado do que Fred Rodrigues e Professor Alcides
Não há a menor dúvida que o bolsonarismo é forte nacionalmente. Entretanto, na política estadual, o bolsonarismo não é decisivo em todas as regiões. Pelo contrário, há forças locais que são mais substanciais — casos do governador Ronaldo Caiado em Goiás, do governador Ratinho Júnior no Paraná, do governador Romeu Zema em Minas Gerais, do governador Helder Barbalho no Pará e do senador Renan Calheiros em Alagoas. Para citar apenas cinco casos emblemáticos.
A eleição para prefeito em 2024 deixou evidente que o bolsonarismo tem substância eleitoral, mas que, sozinho, não é tão sólido na disputa majoritária.
Em Aparecida de Goiânia, a disputa se deu entre Leandro Vilela (MDB), da base caiado-vilelista, e Professor Alcides Ribeiro (então no PL). Venceu o primeiro.
O ex-deputado federal Leandro Vilela ganhou porque agregou uma base político-eleitoral excepcional, com o apoio de líderes estaduais, como Ronaldo Caiado e Daniel Vilela, e de um líder local, Gustavo Mendanha.
Professor Alcides perdeu, não por causa da denúncia de assédio sexual, e sim por falta de uma aliança política ampla. Ficou isolado e o bolsonarismo não foi capaz de elegê-lo.
O resultado da eleição em Goiânia é ainda mais emblemático. Fred Rodrigues, do PL, derrotou Sandro Mabel no primeiro turno. Porém, perdeu no segundo turno.
Sandro Mabel se tornou prefeito porque soube agregar forças políticas novas, independentemente de questões ideológicas, e, sobretudo, contou com o apoio de Ronaldo Caiado e Daniel Vilela. Fred Rodrigues perdeu porque, assim como Professor Alcides, ficou solamente só. O bolsonarismo não foi capaz de, sozinho, elegê-lo.
Anápolis é um case a se examinar com atenção. Político jovem mas astuto, Márcio Corrêa (PL) fez, desde o primeiro turno, uma campanha inteiramente diferente das campanhas de Fred Rodrigues e Professor Alcides.
Longe de romper com todo mundo, Márcio Corrêa atraiu o apoio do bolsonarismo-raiz — Gustavo Gayer, deputado federal, e Major Vitor Hugo, ex-deputado federal — e conquistou o apoio do vice-governador Daniel Vilela.
Márcio Corrêa manteve o apoio do PL, de seus principais líderes, e agregou apoio “novo”, quer dizer, Daniel Vilela (de quem é amigo e aliado há anos). Com uma candidatura encorpada — tão ideológica quanto pragmática —, o integrante do Partido Liberal foi eleito no segundo turno, derrotando Antônio Gomide, um ícone do PT em Anápolis.
Negócio molda Wilder, e não o bolsonarismo
O que a história, a de 2024, está “ensinando” para os políticos que pleiteiam cargos majoritários em 2026? Muitas coisas.
O senador Wilder Morais, pré-candidato a governador de Goiás pelo PL, é um empresário bem-sucedido, dos mais respeitáveis. Mas, como político, não tem a astúcia de Márcio Corrêa, Major Vitor Hugo e Gustavo Gayer.
Primeiro, Wilder Morais não é bolsonarista-raiz — é bolsonarista de período eleitoral. Ao contrário do que aliados sugerem, o senador não critica o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, por ser moderado, e sim por ser empresário, dono de múltiplos negócios.
No caso de Wilder Morais não é o político que molda o empresário — é este que molda aquele. Por isso, a lealdade do senador não é à ideologia — quer dizer, ao bolsonarismo, aos Bolsonaros —, e sim aos seus negócios. Não se trata de “defeito”. Trata-se de lógica.
Segundo, apesar de seu caráter afável — sua voz roufenha de avozinho —, Wilder Morais não agrega. Para uma disputa de governo do Estado, é preciso, acima de tudo, de uma frente política ampla, sobretudo quando se vai enfrentar um candidato do porte de Daniel Vilela, que, além de contar com o apoio do MDB e de vários partidos, é bancado, politicamente, por Ronaldo Caiado, um dos governadores mais bem avaliados do país.
Com quem Wilder Morais realmente conta para a disputa do governo? Com alguns prefeitos — cada vez menos —, os deputados Major Araújo e Eduardo Prado, ambos do PL, e mais alguns políticos. Sua vice, Ana Paula Rezende, é uma pessoa de bem, mas não é política. A tese do “filha de”, no caso da empresária da FGR — é sócia via o marido Frederico Peixoto —, não tem funcionado até agora.
Membros do PL dizem que Ana Paula Rezende nada acrescentou em substância eleitoral para o postulante do PL. Wilder Morais continua em terceiro lugar e, pior, empatado com Adriana Accorsi, do PT, que reluta em ser candidata a governadora.
Terceiro, parte substancial do PL não tem entusiasmo algum com Wilder Morais. Vários prefeitos — como Márcio Corrêa e Carlinhos do Mangão, de Novo Gama — e vereadores do partido vão participar da campanha de Daniel Vilela. A debandada pró-postulante do MDB começou mas ainda não terminou.
Gayer e Vanderlan: disputa pelo Senado
Gustavo Gayer (PL) tem condições de ser eleito senador. Porque, além de bolsonarista-raiz, é popular. Mas, se estiver na linha de frente da campanha de Wilder Morais, poderá ser derrotado por Vanderlan Cardoso (PSD) — que é forte entre os prefeitos de vários partidos.
Para ser eleito, Gustavo Gayer precisa se manter afastado de Wilder Morais e se aproximar de Daniel Vilela. Se o fizer, aceitando que realismo é crucial em política, tem chance de ser eleito senador. Se ficar contra a base governista, que conta com um exército político-eleitoral poderoso, poderá ser derrotado — o que o deixará sem imunidade parlamentar.
Quarto, como está em terceiro lugar, Wilder Morais precisa, antes de definir uma tática para correr atrás de Daniel Vilela, tentar superar o segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, Marconi Perillo.
Se cair na conversa de “compadre esperto” de Marconi Perillo — de que podem se aliar no segundo turno —, Wilder Morais pode continuar em terceiro lugar. Se quiser subir, e não há outra alternativa, terá de partir para o enfrentamento, desde já, com o tucano-chefe. Terá de criticá-lo. Acerbamente.
Há uma questão chave. Dificilmente Wilder Morais e Marconi Perillo vão retirar “votos” de Daniel Vilela — que tende a crescer durante a campanha, até por ter rejeição baixa e aliança ampla.
Para subir, Wilder Morais terá de retirar votos de Marconi Perillo. Assim como, para não cair, o tucano precisa tentar impedir que o postulante do PL tome parte substancial de seus eleitores.
Há quem postule que a eleição de 2026 terá segundo turno. É cedo para dizer isto. Quando o rolo compressor da base governista entrar em campo, em todo o Estado, Daniel Vilela vai melhorar seus índices na pesquisa — criando expectativa de que pode ser eleito no primeiro turno.
Rejeição trava ascensão de Marconi Perillo
A situação de Marconi Perillo é tão complicada que se sente compelido a buscar o apoio de políticos que outros partidos rejeitaram, como Professor Alcides Ribeiro (praticamente expurgado do PL) e Jeferson Rodrigues (duas rejeições: uma política, do Republicanos, e uma religiosa, da Igreja Universal). O PSDB também acolheu uma agiota atuante em Goiânia e um político que até os aliados apontam como “Simão Bacamarte do Cerrado”.
Fica-se com a impressão de que o chapão de Marconi Perillo é uma arca de Noé com mais “sementes ruins” do que “sementes boas”. Claro, há gente de bem na chapa, como José Machado, Helio de Sousa, Gustavo Sebba e Itamar Leão. Mas, no geral, o tucano montou um verdadeiro exército de Brancaleone. Naquele estilo do “não tem tu vai tu mesmo”.
Por que, exatamente, Marconi Perillo não consegue montar uma chapa com valores eleitoralmente consistentes? Ressalte-se que ainda não tem vice nem postulantes ao Senado. O desgaste do tucano afasta prováveis aliados.
Marconi Perillo foi eleito governador quatro vezes, ou seja, geriu Goiás durante 16 anos. Portanto, é um político experimentado — que tem o que mostrar, tanto no aspecto positivo quanto negativo (que não exibirá). Não é uma “galinha morta”.
Mesmo tenho uma história na política de Goiás, nas pesquisas atuais — as sérias, claro —, Marconi Perillo aparece em segundo lugar, muito atrás de Daniel Vilela, o pré-candidato do MDB a governador.
O que mantém Marconi Perillo estagnado (teto?) na faixa de 20% (ou pouco mais)? Tudo indica que a rejeição é a montanha no caminho do tucano-chefe.
Uma rejeição muito alta, como a de Marconi Perillo, trava qualquer ascensão nas pesquisas de intenção de voto. Por isso os dados atuais indicam que o tucano é “bom” candidato para ficar em segundo ou terceiro lugar, mas dificilmente para ser eleito.
Há aliados de Marconi Perillo que advogam outro caminho para o ex-governador: disputar mandato de deputado federal.
Entretanto, o tucano planeja mesmo disputar o governo. Qual é sua expectativa? Ir para o segundo turno contra Daniel Vilela, contando com o apoio do senador Wilder Morais — o que parece improvável.
No caso de segundo turno, a tendência é o PL marchar, com a maioria de seus integrantes, ao lado de Daniel Vilela.
Tratando-se de primeiro turno, Marconi Perillo terá de lutar para não ser superado por Wilder Morais, que conta com o apoio de parte do bolsonarismo.
O post Recado de 2024 pra 2026: Wilder Morais pode ficar mais isolado do que Fred Rodrigues e Professor Alcides apareceu primeiro em Jornal Opção.
