Ponte centenária em Corumbá de Goiás opõe preservação e proposta de demolição
A possível demolição da ponte General João José de Campos Curado, em Corumbá de Goiás, abriu um embate entre poder público e moradores sobre o futuro de um dos principais marcos históricos da cidade.
Com mais de 120 anos, a estrutura de madeira, conhecida como “Ponte Velha”, está no centro de um debate que envolve preservação do patrimônio, segurança e mobilidade urbana.
A Associação de Cultura e Defesa do Patrimônio Histórico de Corumbá de Goiás convocou uma audiência pública nesta quarta-feira, 8, para discutir o futuro da ponte e as intervenções previstas pela prefeitura.
O encontro ocorre em meio à repercussão de um projeto apresentado por engenheiros do município, que prevê a demolição da estrutura atual e a construção de uma nova ponte de concreto armado, mais larga e elevada.
Construída entre 1897 e 1901 e inaugurada em 1902, a ponte foi fundamental para o desenvolvimento da cidade e teve papel logístico relevante durante a construção de Brasília. Um relatório técnico elaborado por engenharia especializada aponta que a estrutura deve ser restaurada e preservada, mantendo suas características originais.
O documento destaca que os problemas estruturais atuais estão relacionados à falta de manutenção adequada ao longo do tempo e a intervenções anteriores que alteraram o comportamento do rio, e não à inviabilidade da estrutura.
Uma fonte ouvida pelo Jornal Opção, que preferiu não se identificar, afirma que a justificativa de risco estrutural utilizada para defender a demolição não se sustenta tecnicamente. “Estão dizendo que precisa derrubar para construir uma ponte de concreto revestida de madeira por questão de segurança. Isso é uma falácia. A ponte pode, sim, ser restaurada em madeira.”
“Ela foi restaurada em 2008 e continuou sendo utilizada normalmente. O problema atual é resultado de manutenção inadequada, com uso de madeira de baixa qualidade em reparos emergenciais.” “É uma ponte histórica, tombada pelo município e inserida em área de proteção. Não pode simplesmente ser destruída.”
Ao Jornal Opção, o prefeito Chico Vaca (PL) afirmou que a proposta da gestão busca garantir segurança e viabilizar a execução dos recursos já destinados à obra. Segundo ele, o projeto prevê uma estrutura híbrida, com base em concreto e acabamento que remete ao aspecto histórico.
“Os moradores de lá querem a ponte do jeito que eu fiz o projeto: de concreto, mas com aparência histórica. A base vai ser de concreto”, disse. O prefeito também argumenta que a mudança está vinculada à origem dos recursos.
De acordo com o gestor, a nova proposta inclui melhorias para a circulação. “Eu consegui a emenda para construir a ponte. E, quando você consegue a emenda, tem que executar conforme o projeto. Se não fizer dessa forma, você pode perder o recurso”, explicou.
“Esse novo projeto traz uma passarela lateral e mais segurança. Aquela ponte já teve vários acidentes.” Ele ainda questiona o status de proteção do bem: “Ela não é tombada. Estão querendo tombar agora, mas ela não era.”
Confira o relatório técnico:
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