Cuba anuncia libertação de mais de 2 mil presos e cita ‘gesto humanitário’ em meio à pressão dos EUA
O governo de Cuba anunciou a libertação antecipada de 2.010 presos como parte de um indulto relacionado à Semana Santa. A medida, divulgada em nota oficial transmitida pela televisão estatal, foi classificada pelas autoridades como um “gesto humanitário e soberano”.
A decisão ocorre em um contexto de tensão diplomática com os Estados Unidos, que têm intensificado pressões políticas e econômicas sobre a ilha nos últimos meses. O anúncio também vem na esteira de uma flexibilização pontual do bloqueio energético, após autorização para a entrada de um petroleiro russo no país, que enfrenta uma crise no setor.
Segundo o governo cubano, o indulto contempla detentos que já cumpriram parte significativa da pena e apresentaram bom comportamento. Entre os beneficiados estão jovens, mulheres, idosos com mais de 60 anos, além de estrangeiros e cubanos residentes no exterior. Também foram considerados critérios como condições de saúde.
A medida, no entanto, exclui condenados por crimes considerados de maior gravidade. Não serão beneficiados presos por homicídio, crimes sexuais com violência, tráfico de drogas, roubo com uso de armas, corrupção de menores e reincidência criminal.
De acordo com o governo, esta é a quinta ação de indulto realizada desde 2011, período em que mais de 11 mil pessoas já foram libertadas por decisões semelhantes.
A nova rodada de libertações ocorre em meio à escalada de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a adotar tom crítico em relação ao governo cubano e chegou a defender mudanças no regime político da ilha.
Aliada a isso, a relação de Havana com países como Rússia, China e Irã tem sido apontada por Washington como fator de preocupação estratégica. Autoridades norte-americanas classificam Cuba como uma ameaça regional, enquanto mantêm sanções e restrições econômicas.
Em março, o governo cubano já havia anunciado a libertação de 51 presos, em um gesto interpretado como tentativa de aproximação com o Vaticano, que historicamente atua como mediador em diálogos entre Havana e Washington.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, confirmou recentemente que há conversas em andamento com os Estados Unidos, embora sem detalhar o conteúdo das negociações.
Do lado norte-americano, o secretário de Estado Marco Rubio reforçou críticas ao modelo político e econômico cubano, afirmando que mudanças estruturais seriam necessárias para uma eventual recuperação do país.
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