Com 45% dos médicos afetados por transtornos mentais, Cremego lança projeto de apoio
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) lança nesta terça-feira, 14, o projeto “Cuidar de Quem Cuida”, iniciativa voltada ao acolhimento e apoio à saúde mental dos médicos goianos. A ação busca enfrentar um problema recorrente na profissão, marcada por jornadas exaustivas e altos níveis de estresse. Segundo o estudo Qualidade de vida dos médicos 2025, 45% dos profissionais brasileiros apresentam algum transtorno mental.
Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, presidente do Cremego, Dr. Rafael Martinez, destacou que os fatores que levam ao adoecimento psíquico dos médicos são múltiplos. “A maior parte acontece pelas jornadas exaustivas de trabalho, pela pressão assistencial, pela pressão para a perfeição, pelas reduções de remuneração, judicialização e sobrecarga”, explicou.
Segundo ele, muitos médicos chegam a trabalhar mais de 60 horas semanais, com plantões de 12 a 24 horas.
O projeto, em sua fase inicial, terá como prioridade a criação de um canal de escuta para os médicos que apresentem sintomas de exaustão, ansiedade, depressão ou ideias ruins. “Queremos receber aquele médico que está sentindo algum desses sintomas, para que possamos acolhê-lo e direcioná-lo. No decorrer do programa, vamos desencadear outras ações, conforme as estatísticas forem chegando”, afirmou.
Entre os sinais mais comuns de adoecimento psíquico observados estão estresse, ansiedade, exaustão e diminuição da qualidade de vida. “A medicina hoje é uma profissão em que os indicadores de saúde psiquiátrica são os piores das profissões, muito maiores do que a média nacional”, ressaltou.
Ele lembra que, além da carga horária, há pressões constantes: necessidade de atualização, exigência de acerto, conciliação entre vida pessoal e profissional e o impacto da judicialização.
O projeto prevê parcerias com hospitais, clínicas e residências médicas. “Tudo será feito como parceria. Vamos apresentar o projeto e ver qual contrapartida cada instituição pode oferecer. Não há remuneração, é um trabalho voluntário, mas que dá ao hospital a chance de ajudar o colega médico”, disse.
Além disso, estão previstas campanhas institucionais, gravação de vídeos, podcasts e reuniões sigilosas com médicos que necessitem de apoio.
Um dos principais desafios, segundo Dr. Rafael, é vencer o tabu entre médicos em relação à busca por ajuda psicológica ou psiquiátrica. “Esse receio do impacto que o diagnóstico pode trazer na vida profissional faz com que muitos tenham dificuldade de procurar ajuda. O projeto quer justamente facilitar esse acesso”, explicou.
O Cremego pretende medir os resultados por meio de análises mensais dos contatos recebidos e transformá-los em publicações. “Se ajudarmos um, já está bom, mas esperamos ajudar muita gente”, afirmou.
Para ele, abrir espaço de diálogo sobre saúde mental dentro da categoria é essencial. “A importância é diminuir a angústia e o impacto emocional, dando ao médico melhor condição de vida e de trabalho. Afinal, para cuidar de quem precisa, o médico também precisa estar bem”, disse.
Convite
O lançamento do projeto “Cuidar de Quem Cuida” acontece hoje, às 19h, na sede do Cremego (Rua T-27, nº 148, Setor Bueno). O evento contará com a palestra magna “Quando o amor pela profissão leva ao adoecimento: doenças mentais em médicos”, ministrada pelo presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Dr. Antônio Geraldo. Médicos e familiares estão convidados a participar.
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