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Após morrer na rodovia, onça tem material genético coletado para uso futuro

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Parte da orelha e os testículos da onça-pintada que morreu após ser atropelada neste sábado (19), na BR-262, foram coletados para servir a pesquisas na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Os materiais poderão ser perpetuados num clone e contribuir futuramente para a conservação da espécie, atualmente classificada como vulnerável. A coleta foi feita pelo Reprocon ( Reproduction for Conservation ), nome de um grupo de pesquisadores ligados à universidade que se dedicam a estudos inovadores focados em animais. O macho vítima do atropelamento protagonizou uma cena dramática, filmada pelo motorista de um ônibus, ao se arrastar pelo asfalto após o impacto com um veículo na estrada que corta o bioma pantaneiro de Mato Grosso do Sul. Tentava salvar a própria vida, mas não resistiu.  Segundo a professora doutora em reprodução animal e coordenadora do Reprocon, Thyara de Deco Souza e Araujo, era um animal jovem de aproximadamente três anos, fase em que as onças-pintadas já deixaram a mãe e migram para demarcar territórios para a procriação. O responsável pela coleta dos materiais em campo, chamados de tecidos vivos, foi o médico-veterinário pós-doutor em Reprodução Animal, Gediendson Ribeiro de Araujo. Já são mais de 70 amostras de felinos armazenadas no biobanco do laboratório onde o grupo realiza os estudos na universidade. Desses, oito são de onças-pintadas atropeladas em rodovias. O grupo também recolhe células não vivas de outros animais (penas e sangue, por exemplo) e retira gametas, espermatozoides, óvulos e até embriões para uso em técnicas de reprodução assistida, análise epidemiológica ou estudos sobre as espécies em si. Como funciona -  Levará um tempo até que os tecidos vivos da onça fiquem prontos para serem armazenados. As amostras não podem simplesmente ser depositadas, é preciso uma preparação. “Retiramos pedacinhos bem pequenininhos, colocamos para cultivar numa incubadora e lá as células se multiplicam. São elas que vamos armazenar em nitrogênio líquido a uma temperatura de -196ºC”, explica Thyara. Os materiais podem ficar armazenados por décadas. Enquanto isso, os pesquisadores desenvolvem técnicas de clonagem. A de onças ainda não é realidade no Brasil, mas existe em potencial, garante a pesquisadora.  Ela cita como exemplo de clonagem voltada à conservação a do furão-da-pata-preta, nos Estados Unidos, que teve materiais armazenados na década de 1980. A espécie já era dada como extinta da natureza. “Clonaram, os indivíduos se reproduziram e seus filhotes foram soltos. Isso foi feito com tecnologias muito específicas e ocorreu décadas depois”, afirma. A coordenadora do Reprocon acrescenta que a UFMS tem equipamentos e tecnologias disponíveis para esse objetivo. Eles poderão ser usados não só caso a onça-pintada venha a desaparecer, mas também para assegurar a variabilidade dos genes da espécie, evitando problemas comuns no cruzamento de animais com algum grau de parentesco.  “Estamos estocando material que pode ser recuperado no futuro, para ter população grande o suficiente para ter variabilidade genética e migrar”, completa. Thyara finaliza simplificando a importância dos estudos do grupo. “É igual a um banco de dinheiro. A gente guarda enquanto tem, para usar quando precisar. Por essa razão, temos que armazenar o material genético desses animais enquanto ainda existem indivíduos”, compara.



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