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Март
2017

Totchnost, das tradições a um novo fuzil de precisão

Arma reinventa características já presentes em modelos dos anos 1920 (Foto: Serguêi Mamontov/RIA Nôvosti)

A mais nova arma destinada ao Exército russo, “Totchnost” (precisão, em russo), faz jus ao nome. Em muitos aspectos, esse fuzil de precisão representa para a indústria de defesa russa um novo padrão de armas portáteis.

O modelo foi originalmente criado como uma alternativa aos principais fuzis de precisão ocidentais. Por isso, seus protótipos deveriam superar os parâmetros de armas austríacas e finlandesas, tradicionalmente populares entre os combatentes das forças especiais.

O fuzil T-5000, apresentado ainda em 2011 e projetado para utilizar cartuchos de calibre 7,62x8,6 mm, atingia alvos a uma distância de 1.600 metros.

No ano seguinte, os membros dos serviços de segurança russos, munidos com o T-5000, obtiveram grande sucesso em competições internacionais entre os atiradores de elite.

T-5000 foi o primeiro modelo do projeto Totchnost (Foto: Vitáli V. Kuzmin)

O Totchnost, porém, supera seu antecessor em todos os aspectos, sobretudo em alcance (superior a 2 km).  A precisão na hora de atingir o alvo é garantida pelo baixo recuo, gatilho confortável, mira especial e, mais importante, cano especial do fuzil.

Precursores de destaque

O novo fuzil está sendo criado por uma nova equipe de armeiros. No entanto, a arma foi concebida seguindo as tradições do complexo militar-industrial russo.

Em 1920, os engenheiros soviéticos já estavam pensando em adaptar uma mira de alta precisão aos fuzis. Inicialmente, tratava-se de fabricar modelos mais aperfeiçoados dos modelos Mosin e Tokarev, então produzidos em massa. Era precisamente com essas armas que estavam equipados os atiradores de elite soviéticos durante a 2ª Guerra Mundial.

Portando um desses fuzis Mosin aperfeiçoado (que na época costumava ser chamado de “Mossinka”), o famoso atirador Vassíli Zaitsev travou uma caçada aos alemães em meio às ruínas de Stalingrado, aniquilando mais de 200 soldados e oficiais inimigos em três meses.

Depois da guerra, os armeiros focaram na criação de fuzis especiais para realizar disparos de alta precisão. Em termos de reconhecimento e distribuição mundial, o Dragunov (SVD, na sigla em russo) pode ser comparado à famosa família Kalashnikov. Até hoje, integra o arsenal de exércitos de mais de 30 países ao redor do mundo.

Mosin provou eficácia nas mãos de atiradores de elite soviéticos durante a 2ª Guerra (Foto: Vladímir Pesnia/RIA Nôvosti)

Ao assimilar uma série de elementos da famosa AK, o SVD tornou-se ainda mais eficaz, e suas qualidades foram potencializadas –fácil manuseio e alta potência de combate. Durante a guerra no Afeganistão, por exemplo, o fuzil foi uma arma insubstituível – em combates nas montanhas, permitia atingir o inimigo a uma distância de mais de 1 km.

Depois de 1991, fuzis de precisão especiais, de grande calibre, foram desenvolvidos e incorporados ao arsenal russo. O modelo OSV-96 “Vzlomschik” (Arrombador, em russo) permitia que até alvos levemente blindados fossem atingidos a uma distância de quase 2 km. No entanto, possuía uma grande desvantagem – o ruído altíssimo no disparo.

Problemas e perspectivas

O Totchnost tem uma genealogia sólida, mas também uma série de deficiências que precisam ser eliminadas para que a nova arma comece a ser fabricada em série. 

A modernização do fuzil de precisão russo foi realizada com o uso de recursos tecnológicos estrangeiros. A especificação técnica do fuzil surgiu antes da imposição de sanções pela UE e Estados Unidos, e, hoje, vários pontos dela precisam ser reelaborados.

Apesar das declarações feitas pelos desenvolvedores, os especialistas destacam que, antes mesmo de iniciar a produção em série do Totchnost, será necessário solucionar uma série de importantes questões técnicas, além de definir quem exatamente irá usar a nova arma.

Nova arma foi apresentada ao vice-premiê Dmítri Rogózin (Foto: Serguêi Mamontov/RIA Nôvosti)

Acredita-se, por exemplo, que seus parâmetros de combate não sejam adequados para que seja usado por atiradores de elite do Exército, que costumam trabalhar em distâncias muito menores. O principal potencial comprador do Totchnost deve ser o serviço secreto.

A expectativa é que o novo fuzil também seja, futuramente, exportado.

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